Os penáltis do leão

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Eu sei que o Sporting está atrás do Vitória de Setúbal no Campeonato; que poucas vezes tem conseguido vencer esta época longe de Alvalade e que, nos três embates anteriores entre os dois emblemas, nem uma vez lograra dobrar os sadinos. Ainda assim, para mim era óbvio que o favoritismo na final da Taça da Liga tinha de ser atribuído ao Sporting. O potencial das duas equipas assim o determinava. O problema é que se há muito os jogos deixaram de ser ganhos pelas camisolas, também convém ter em consideração que já não se resolvem por ter mais soluções, por possuir gente mais experiente, por ter um orçamento bem superior ao adversário. É preciso jogar melhor.

O Sporting perdeu no Algarve e, conforme fez questão de referir Paulo Bento, perdeu bem. A equipa nunca mandou no jogo como se lhe exigia, poucas ocasiões de perigo criou e até foi feliz ao ver um livre contrário embater no poste. Ter mais posse de bola, por si só, de pouco vale...

Mas, se nos 90 minutos, a exibição sportinguista foi pouco leonina, o que veio a seguir não foi melhor. Em cinco penáltis, como de costume, os pupilos de Paulo Bento revelaram uma eficiência ridícula. Poder-se-ia falar em falta de sorte se o caso fosse virgem, mas todos sabem que, esta época, o Sporting falha praticamente uma em cada duas grandes penalidades que tem à disposição. E isso, convenhamos, não pode ser só azar.

Seja numa equipa profissional ou numa mera formação amadora, os penáltis têm de ser trabalhados como os livres ou os cantos. E a exemplo do que sucede com as restantes situações de bola parada, cabe ao treinador escolher os atletas mais indicados para aproveitar os penáltis.

Mais do que ser cobrado por um defesa ou avançado, a grande penalidade tem de ser executada por quem tenha jeito (entenda-se técnica) para o fazer. De preferência, um jogador frio, decidido e que trabalhe regularmente esse gesto.

Não sei se Paulo Bento treina muito os penáltis, nem faço ideia quais os elementos que melhor rendimento apresentam nas sessões de preparação. Mas, se forem Polga, Liedson e Moutinho (marcou no sábado, embora a bola tenha raspado na trave) alguma coisa está errada. É que estes falham tanto que custa a acreditar que sejam os melhores.

Paulo Bento - que era um exímio marcador de penáltis - tem de acabar com este desperdício assustador. É que para desespero dos adeptos, a salvação da temporada pode decidir-se através das grandes penalidades (Taça de Portugal e Taça UEFA). E até mesmo o acesso à Liga dos Campeões, via Campeonato, pode passar pela concretização de um penálti...

PS - O guardião Eduardo voltou a mostrar-se como um sério pretendente a marcar presença no Europeu. O problema é a escolha não ser democrática. O único voto contabilizado será o de Scolari. E o seleccionador, já sabe, tem ideias muito próprias. E pouco ou nada flexíveis...

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