Os riscos de Vieira
Os últimos dias foram pródigos em notícias lá para as bandas da Luz, sendo que entre saídas e entradas ressalta o facto de Luís Filipe Vieira ter assumido, de vez, que quem manda é ele e mais ninguém. Agora, nem oficial, nem oficiosamente, há José Veiga para identificar possíveis reforços ou liderar negociações com vista a comprar ou vender atletas. O presidente passou a ser responsável por todos os "dossiers". É uma boa solução? Veremos! Mas, já se sabe que é uma opção arriscada, pois será quase impossível que o líder não seja criticado pelos adeptos caso algo não corra bem durante a temporada que aí vem. E Vieira, desde que assumiu a liderança do clube, jamais sentiu animosidade por parte dos adeptos. Bem pelo contrário.
A saída de Veiga é, de facto, interessante. Mais do que não seja, porque me faz confusão que alguém tenha deixado de execer funções que, de concreto, não havia retomado. Mas, a passagem do antigo adepto portista pela Luz foi sempre marcada por algum secretismo à mistura com bizarria. Liderou muitos negócios sem oficialmente trabalhar para o clube; chegou a ter decisões mais próprias de alguém eleito pelos sócios do que propriamente por um funcionário e, por vezes, até deu a sensação de ter um poder ilimitado, inclusive acima do presidente, algo que jamais agradou a muitos dirigentes e ainda mais a associados e adeptos que, naturalmente, nunca viram com bons olhos um assumido portista a fazer figura de proa na Luz.
Oficialmente, Vieira e Veiga continuam amigos. Dizem que o fim de uma ligação profissional não mexe com a amizade. Acredito, mas reservo-me o direito de pensar que a coisa não é bem assim. Sempre considerei que o presidente não se esforçou muito para, oficialmente, recuperar Veiga. Parece-me que cedo percebeu que precisava dos préstimos do ex-empresário, mas também terá entendido, com o passar dos tempos, que a presença de Veiga criava muitos anti-corpos. Alguns conhecidos, outros apenas comentados em surdina...
Mas, para os adeptos, Veiga não lhes tira o sono. Ao invés do que sucede com a partida de Simão. Depois de Miccoli, outro favorito dos sócios, o Benfica perdeu a sua grande figura. E até consta que Nuno Gomes pode ser o próximo. Se tais deserções fossem colmatadas com a chegada de craques reconhecidos, creio que a situação até tenderia a ser pacífica, mas a verdade é que Vieira quer fazer esquecer estrelas com a contratação de miúdos talentosos (Di María e Adu) ou de um ilustre desconhecido (Diaz). A opção até pode resultar, desportiva e financeiramente, mas o risco é tremendo.
Curiosamente, no meio de tanta agitação, penso que Fernando Santos ganhou espaço para respirar. As atenções estão viradas para outros "actores" e, caso as coisas corram mal, todos vão saber dizer que não foi ele que abdicou deste ou daquele jogador ou que se lembrou de contratar outros. Mas, realisticamente, nesta altura o técnico não deve estar tão confiante quanto há um mês.
