Os sinais leoninos
A derradeira jornada da fase de grupos da Liga Europa não tinha, em termos classificativos, importância alguma para as equipas portuguesas envolvidas. Benfica e Sporting já haviam assegurado a qualificação (e o primeiro lugar nas respectivas "poules") e o Nacional estava eliminado. No entanto, como sempre, as partidas não podiam ser encaradas como "jogos a feijões". Para além do prestígio, estavam em causa importantes pontos para o "ranking" nacional e, não esquecer, alguns euros.
Os madeirenses, finalmente, ganharam. E fizeram-no de forma categórica diante uma equipa austríaca que, tal como já se observara no jogo da primeira volta, é muito fraquinha para as exigências de uma Liga Europa. Ao Nacional, creio, só faltou maior experiência internacional para, de forma efectiva, discutir a qualificação para a ronda seguinte. Futebolisticamente falando, os pupilos de Manuel Machado (agora, de novo, sob a batuta de Jokanovic) não estiveram muito longe dos conjuntos que seguiram em frente.
O Benfica, a pensar no duelo de domingo com o FC Porto, também ganhou. Passou por alguns sustos na fase final da recepção ao AEK mas, mesmo utilizando uma formação secundária, podia ter vencido com outra segurança. Ainda assim, embolsou o dinheiro em jogo, deu pontos a Portugal e "rodou" vários jogadores.
O Sporting é que não aproveitou a deslocação a Berlim para nada. Perdeu, deixou os euros para os germânicos, não ajudou as pretensões lusas na contabilidade da UEFA e, pior que isso tudo, desaproveitou excelente ocasião para recuperar o ânimo que, em traços gerais, desapareceu mal a temporada arrancou.
Entendo perfeitamente que Carlos Carvalhal tenha optado por dar a titularidade a elementos menos rotinados. Porém, se a ideia era boa, não resultou. A equipa voltou a rubricar uma prestação sem qualidade, sem a criatividade necessária para criar situações de perigo, sem agressividade para finalizar. É verdade que teve posse de bola, que segurou o jogo mas, ao fim de 90 minutos, isso valeu... outra derrota.
Os leões, pese a troca de treinador, os reajustamentos tácticos ou a introdução de novos jogadores no onze... insistem em jogar pouco futebol. Contudo, confesso, não foi isso que me surpreendeu. As declarações, no final, de alguns futebolistas e de Carvalhal é que me deixaram estupefacto. Eles vislumbraram sinais positivos e melhorias no jogo da equipa. E a atitude dos atletas foi bastante elogiada pelo técnico. Vi o jogo, o resumo vezes sem conta e, sinceramente, não consigo perceber onde é que estiveram todos esses sinais positivos. A menos que o grau de exigência tenha descido para patamares não condizentes com a história do clube de Alvalade...
A ida do Sporting à Alemanha serviu apenas para confirmar, pela enésima vez, o óbvio: o clube precisa rapidamente de ir às compras e não pode adquirir apenas um ou dois elementos. São necessários vários. Como também urge, em definitivo, prescindir de determinados jogadores que, todos sabemos, não possuem qualidade para figurar num grupo que pretende ganhar títulos.
PS - Os altos e baixos de Di María continuam na ordem do dia. O argentino marcou duas vezes (o segundo foi muito bonito) ao AEK e esteve bem perto de facturar pelo menos mais uma vez, quando, num lance genial, acertou na trave. O problema é que o jovem sul-americano vive num constante rodopio que tanto o transforma em herói, como em vilão no minuto seguinte. Foi ele que assinou os melhores momentos do jogo, mas também quem exagerou em determinados lances, como no que originou o golo helénico...
PS 1 - Não sei se Ruben Micael vai para o Sporting. Sei, há muito, é que este madeirense tem futebol a mais para uma equipa que luta apenas por chegar às competições europeias. Sem desprimor para o Nacional, o médio goleador merece mais. E merece também que Queiroz olhe para ele e lhe dê uma oportunidade.
