Os trintões estão na moda
Longe vão os tempos em que apenas o futebol italiano se munia de jogadores experientes. Os trintões estão na moda e também os clubes portugueses parecem estar a aderir a esta tendência. Em equipas cujo modelo de negócio passa pela aposta em jovens talentos e na sua valorização, a presença destes elementos com maior maturidade competitiva acaba por trazer equilíbrio às equipas, liderança no balneário e inteligência tática dentro de campo.
Com oito anos de futebol português, e apesar de algumas reservas dos adeptos azuis e brancos, sobretudo por estarem habituados a vê-lo com a camisola de um rival, Maxi Pereira precisou de pouco tempo para começar a render no Dragão. Frente ao V. Guimarães, até parecia que o lateral de 31 anos já jogava no clube há muito tempo. Um entrosamento excelente com o resto da equipa, um jogo incansável no corredor direito e duas assistências. Melhor estreia seria impossível e a confirmação que o lugar de Danilo já tem novo dono.
Na baliza portista, a estreia de Iker Casillas na liga portuguesa também é digna de registo. O guardião teve pouco trabalho, mas esteve sempre atento e respondeu à altura quando o perigo espreitou. Pela amostra, o espanhol de 34 anos vem trazer mais tranquilidade aos colegas da defesa portista. E o regresso de Silvestre Varela, um jogador precioso nos momentos com e sem bola, porque dá profundidade ao ataque e fecha bem o espaço a defender, também acabou coroado com um golo.
A estreia de Alberto Aquilani ao serviço do Sporting também deixou boas indicações na partida do playoff de apuramento para a Liga dos Campeões frente ao CSKA Moscovo. Num jogo difícil, onde o golo dos russos acabou por intranquilizar a equipa leonina, com muitos passes falhados e lentidão de processos, a entrada do italiano acabou por dar uma maior dinâmica e fluidez ao jogo do Sporting, resultando mesmo na chegada ao golo da vitória nessa fase. Aquilani assumiu a responsabilidade, fez uso da técnica e definiu bem as jogadas. Uma solução mais madura que promete dar luta a um meio campo recheado de elementos de qualidade.
E foram também os trintões Teófilo Gutierrez e Bryan Ruiz que descobriram os caminhos para o golo que abriu o marcador no jogo de Alvalade. Os dois avançados ainda parecem estar à procura da melhor forma, mas já começam a mostrar serviço e tudo indica que serão dois elementos importantes no onze que está a ser trabalhado por Jorge Jesus.
Na Luz, e antes de se consumar a goleada sobre o Estoril, o guarda-redes Júlio César ainda travou dois ou três calafrios. Além disso, o regresso de Luisão devolveu à equipa uma maior estabilidade, por força da liderança do central brasileiro e da confiança que este consegue transmitir. E na frente, os dois golos de Jonas, que voltou a mostrar instinto matador, deram a segurança da vitória, de um jogo que não estava a ser bem conseguido. A veterania é um posto e pode fazer a diferença na conquista de pontos.
Não é por isso de estranhar que Carlos Martins (33 anos) e Tonel (35) sejam o maestro e o patrão da defesa, respetivamente, do Belenenses. Em Braga, Alan (35) continua a ser um líder de balneário, tal como Manuel José (34) no Paços de Ferreira. Exemplos que se replicam um pouco por todos os clubes. Até o recém-promovido União da Madeira contratou um guarda-redes internacional venezuelano de 36 anos. Os clubes portugueses estão cada vez mais atentos à experiência e dispostos a provar que “velhos são os trapos”.
O Craque – A vez de Aboubakar
O avançado Aboubakar aproveitou a primeira jornada para dissipar dúvidas sobre quem será o sucessor de Jackson Martínez no ataque portista. Com uma excelente exibição, muita entrega e faro de golo, o camaronês mostrou que pode ser a referência ofensiva dos dragões. A ser trabalhado na sombra há cerca de um ano, Aboubakar tem margem para crescer ao longo desta temporada. As suas movimentações dentro e fora da área evoluíram bastante e já se sente confortável a jogar de costas para a baliza. Para acompanhar com atenção.
A Jogada – Guerrinhas sem interesse
É compreensível que a saída de Jorge Jesus para o Sporting deixou marcas entre as hostes encarnadas. Foi um treinador que catapultou o clube para uma dimensão superior àquela que encontrou quando chegou, conquistou títulos e vincou uma ideia de futebol. É natural que este período de mudança de “ciclo” seja difícil. Lamentável é a guerra de palavras e o lavar de roupa suja que temos vindo a assistir. São quezílias que nada trazem ao futebol. Está na altura de cada uma das partes seguir o seu caminho.
A Dúvida – Refazer a equipa
Numa temporada em que as mexidas de técnicos e jogadores nos rivais lisboetas faziam adivinhar uma vantagem competitiva para o FC Porto, na ótica de continuidade do trabalho feito no ano anterior, a saída de vários elementos da equipa titular dos dragões promete dar trabalho a Lopetegui, que se assim se vê obrigado a refazer a equipa. Alex Sandro, um dos grandes laterais esquerdos da última década em Portugal, é a mais recente partida. O FC Porto bate recordes de vendas, e merece elogios por isso, além de já ter dado mostras que sabe encontrar soluções, mas não terão sido saídas a mais?
