Os tristes jornalistas ingleses
Tal como em todas as outras profissões, também na minha existem bons e maus profissionais. Sempre assim foi, sempre assim será.
No entanto, tenho para mim que um mau jornalista (tal como um profissional de outra área qualquer) não o é por opção. Ninguém no seu perfeito juízo gosta de ver o seu trabalho desvalorizado. Agora, como em tudo na vida, há uns que são melhores que outros.
Portugal, na minha modesta opinião, pode não ter os melhores jornalistas do Mundo, mas há algo de que podemos e devemos orgulhar-nos: não mentimos! Por vezes, é verdade, erramos, cometemos deslizes, deixamos escapar pormenores relevantes ou somos "enganados" por determinadas fontes. Mas, posso garantir, não enveredamos pelo caminho da mentira, da calúnia barata, da crítica absurda, da falta da respeito para com as pessoas. Pelo menos é isso que acontece com a esmagadora maioria dos meus camaradas.
Vem isto a propósito do chorrilho de disparates que muitos "jornalistas" ingleses nos ofereceram nos últimos dias. Começaram logo quando souberam que iam "apanhar" com Portugal nos quartos-de-final do Mundial da Alemanha e, claro está, ainda não se calaram.
Pediram a suspensão de Figo; inventaram uma entrevista com Pauleta; apelidaram os nossos futebolistas de "caceteiros" e "batoteiros" e chamaram-nos país de Terceiro Mundo. E isto foi só até a bola começar a rolar em Gelsenkirchen...
Depois de terem assegurado um regresso antecipado a casa, os súbditos de Sua Majestade voltaram a mostrar a sua triste incapacidade. Chamaram tudo e mais alguma coisa a Portugal e aos portugueses e, imagine-se, resolveram transformar Cristiano Ronaldo no vilão da história, criando-lhe um ambiente hostil caso o madeirense tenha mesmo de voltar a Manchester.
Alex Ferguson, até por ser escocês, talvez tenha uma interpretação diferente de toda esta "novela". E Carlos Queiroz, claro, pode e deve explicar aos responsáveis do United que se há alguém a merecer ser chamado "à pedra"...esse alguém só pode ser Rooney, freguês assíduo de situações bizarras e estúpidas, sempre com prejuízo da sua equipa.
Ler os jornais britânicos de hoje é um óptimo exercício para a auto-estima nacional. Os tais "jornalistas" falam de tudo e mais alguma coisa. No entanto, esqueceram-se de analisar o porquê de, sistematicamente, serem afastados nas grandes penalidades; ignoraram que Rooney tem tanto de bom futebolista como de arruaceiro (como é possível ainda não entenderam a justiça da expulsão?) e recusam-se a admitir que Portugal voltou a "enganá-los" apenas e só porque é melhor e teve mais sorte.
Depois de mais esta demonstração de parcialidade, ignorância e incompetência, aconselho os meus "colegas" a dedicaram mais espaço às corridas de cavalos, um desporto mais ao seu jeito...
