Os trunfos da águia
A Liga entra agora na fase final, com o Benfica a apresentar-se como claro favorito. Nas 7 jornadas que faltam disputar, os encarnados têm, do ponto de vista teórico, apenas dois compromissos de elevado grau de dificuldade, as deslocações aos Barreiros e ao Dragão, podendo inclusivamente festejar o título no terreno do rival, o que não deixará de ser irónico face ao que aconteceu num passado recente.
A equipa de Jorge Jesus até já terá conseguido o mais complicado. Descolar do FC Porto num período de grande sobrecarga competitiva, que terminou com a pausa para os compromissos das seleções nacionais, deixou inegavelmente as águias com caminho aberto para o título.
Mas, se há menos barreiras no percurso, passam a existir igualmente menos desculpas para um eventual fracasso. A carreira na Liga Europa, e a consequente erosão física da equipa, deixam de poder explicar, pelo menos de uma forma indiscutível, qualquer percalço no caminho.
A maioria dos jogadores pôde descansar nas últimas duas semanas e a eliminação nas meias-finais da Taça da Liga, diante do Sp. Braga, levará o Benfica a novo interregno competitivo no segundo fim-de-semana de abril. Sabendo, por outro lado, que os encarnados venceram, por 2-0, em Paços de Ferreira na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, a partida a disputar na Luz servirá certamente para Jorge Jesus proceder a nova gestão do plantel, dado dispor de margem de manobra suficiente para confirmar a presença no Jamor.
A desculpa da Liga Europa torna-se, aliás, frouxa, a partir do momento em que a importância da prova foi, numa primeira fase, secundarizada pelos responsáveis dos encarnados. Ganhou posteriormente estatuto no seio do clube, logo que Jorge Jesus, percebendo o momento histórico que o Benfica pode viver, teve a honestidade de assumi-la como mais uma meta a alcançar.
