Os valores do Mundial

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Está a decorrer o Mundial de Futebol 2026. Este ano, pela primeira vez, em três países em simultâneo (México, Estados Unidos da América e Canadá). Para além da bola estar a rolar e de Portugal estar no bom caminho de passar à fase seguinte, muito se tem falado se o futebol profissional é mesmo uma modalidade desportiva com valores, apolítica, fator de unidade entre os povos e popular. Estas dúvidas são legítimas, quando assistimos ao que aconteceu com a seleção do Irão, obrigada a dormir no México, ou atletas a serem vedados a entrar nos EUA, e o mesmo aconteceu a um dos melhores árbitros de África, o somali Omar Abdulkadir, ou os bilhetes, bem como os direitos televisivos, serem tão caros que levam o “povo” a ficar fora dos estádios.

A nível do impacto económico, este Mundial lança números estratosféricos. Os prémios que a FIFA oferece são cerca de 900 milhões de euros. Em Portugal, o seu impacto económico pode chegar aos 945 milhões de euros. Só no PIB dos três países organizadores estima-se um impacto de 41 mil milhões de dólares, agora imagine-se no PIB mundial… Estes “valores económicos” impressionam, mas, quando uma atividade desportiva, como é o futebol, fica reduzida a estes “valores”, podem ter a certeza de que, em vez de enriquecer, pelo contrário, empobrece.

Quando reduzimos o futebol à maximização do lucro, ao mercado financeiro, à instrumentalização política e ideológica, o futebol deixa de ser uma atividade verdadeiramente humana, passa a excluir em vez de unir, passa a ser de todos para ser só de alguns, porque deixa de ter um conjunto de valores humanos que determinam que seja uma atividade verdadeiramente humana, como o respeito, a unidade e a universalidade. Nesse sentido, devemos estar alerta e defender esses valores, para que as emoções não nos ceguem de encontrar e de seguir o verdadeiro “norte valorativo”…

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