Outra Liga
Em São Petersburgo, na Rússia, o estádio é antigo, quase todo o espaço de bancada é descoberto (o que não é nada irrelevante quando estão temperaturas negativas), os acessos são fracos e ontem esteve pouco mais de meia casa a assistir ao jogo. Mas o Zenit ganhou, outra vez, ao Benfica. E, outra vez, mereceu.
A análise do jogo está bem feita noutras páginas deste jornal. Neste artigo o tema a focar é outro: o do progressivo desnível nos clubes europeus entre os da “primeira divisão” (os que lutam pela Champions) e os que tentam “apenas” ir o mais longe possível, recolhendo a receita possível. Essa diferença, claro, é ditada pelo dinheiro, que por sua vez é decidido sobretudo ou por audiências televisivas ou por patrões oligarcas que investem e compram um clube (o recente reforço de Álvaro Sobrinho no Sporting um dia quererá dizer mais do que uma posição silenciosa, tendo em conta o perfil do empresário angolano e considerando o dinheiro que ele já lá colocou, mas essa é outra história).
Exemplo desse desnível é, precisamente, o Zenit, que além de ter Villas-Boas a treinar e um português adorado chamado Danny, ontem jogou com quatro antigos jogadores do Benfica e do Porto, que saíram precisamente por dinheiro, como sairão quase sempre os melhores, para os quais não há orçamento suficiente para reter.
Com o tempo, as equipas portuguesas tenderão a tornar-se cada vez mais periféricas no grande campeonato que é a Champions. A profissionalização do negócio (sim, do negócio) é acelerada, em favor dos mais fortes, e como não se vislumbram regras internacionais que anulem estes desequilíbrios, Porto, Benfica, Sporting, Braga, Guimarães ou outros estarão sempre a jogar num campo inclinado que os desfavorece. Isso torna as vitórias ainda mais heroicas. E, possivelmente, mais raras.
