Paixão... o protagonista

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Paixão... o protagonista
Paixão... o protagonista

Num pequeno livro muito certeiro, “Allegro Ma Non Troppo”, o historiador italiano Carlo Cipolla identificava com ironia as leis fundamentais da estupidez humana. Para Cipolla, “os estúpidos são o tipo de pessoa mais perigosa que existe”, na medida em que provocam perdas para o conjunto da sociedade, sem que obtenham vantagens para si próprios.

Tenho para mim que a incompetência é uma forma operacional de estupidez e lembro-me sempre do argumento de Cipolla quando penso nas arbitragens em Portugal. É tentador pensar que as péssimas arbitragens são explicáveis por tráfico de influências. Nos gloriosos anos oitenta e pelos noventa adentro, assim era. Mas, hoje, talvez o problema essencial não seja o favorecimento devidamente remunerado. Se calhar, tudo se explica por incompetência, vontade de protagonismo e falta de bom senso.

Frequentemente, as arbitragens são más, sem benefício para os árbitros e, como se não bastasse, dão cabo dos espetáculos. O jogo do Benfica em Barcelos foi, desse ponto de vista, exemplar. O resultado não é explicável pela arbitragem, mas o jogo foi estragado pela arbitragem.

Não se compreende que um jogo normal tenha 45 faltas, nove amarelos e um vermelho. É, no fundo, a repetição de um padrão típico do futebol português: árbitros que apitam por tudo e por nada, apenas para serem protagonistas do jogo. Em 2011, de acordo com dados do site de estatísticas OPTA, entre os maiores campeonatos europeus, o português era aquele com maior número de faltas, uma média de 32,9 por jogo, longe do campeonato espanhol, italiano e bem distante da Premier League, com 24,2 faltas por partida.

Mas se as médias são más, que dizer de Bruno Paixão? Em 23 árbitros que dirigiram partidas da 1.ª Liga esta temporada, Paixão lidera “ex aequo” o ranking de amarelos (42). Desconheço dados para faltas marcadas, mas devem ser números igualmente elevados. É mau de mais para ser verdade e o pior é que já lá vai mais de uma década com o setubalense a querer ser o centro das atenções. Carlo Cipolla perguntaria com razão: quem é que ganha com isso?

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