Palavras para que te quero
A entrevista de ontem à noite na SIC Notícias de Vicente de Moura deve ter "encerrado" o ciclo olímpico, do qual é preciso retirar algumas ilacções.
Portugal conseguiu duas medalhas (1 ouro e uma prata) mas não é tão correcto quanto isso dizer que foram os melhores Jogos de sempre. Os tempos são outros, as condições de treino e o apoio estatal são diferentes, pelo que optar por análises simplistas (46.º lugar na tabela) não é assim tão honesto.
O desempenho de Portugal foi mediano. Um exemplo do país que somos, assim-assim. No final, depois da amargura das desilusões e das palavras mal ditas, encontramos sempre pontos para dizer "até nem foi mau".
Um reflexo da política e dos governantes portugueses. Nem só os atletas falharam. Como escreveu Filipe Luís na "Visão", "Cavaco e Sócrates, orgulhosamente sós, falharam na hora da verdade. Ficaram na caminha".
Ao contrário da líder da oposição Manuela Ferreira Leite para quem o silêncio é tudo menos de ouro, no caso de Pequim'2008 era bom que o ditado popular se tivesse aplicado.
Surgiram declarações despropositas dos mais variados quadrantes e não só de Marco Fortes. Vicente de Moura também esteve, como aliás ontem reconheceu, mal ao falar inclusivamente de abandono quando tudo parecia perdido.
Já Vanessa pode ter-se excedido mas o ruído que se fez em torno do que disse, na Aldeia Olímpica, é o reflexo de quem gosta ficar sentado no seu cantinho sem dar explicações a quem quer seja. Afinal, como se provou como o desempenho de Nélson Évora, o desgaste que terá provocado nos outros atletas portugueses, é mera confusão da cabeça de alguns.
