Patrício tem o Mundo nas mãos

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Patrício tem o Mundo nas mãos
Patrício tem o Mundo nas mãos

1 - Costuma dizer-se que o temor provocado pela responsabilidade ou a noção de dever cumprido é, acima de tudo, uma convicção individual, independente de assobios, gritos e aplausos que vêm das bancadas ou das palavras de comentadores sem razão e jornalistas que se deixam levar pela cultura do imediato. Essa capacidade isoladora a potenciais pressões exteriores não denuncia, só por si, um grande jogador. Mas, como Rui Patrício tem mostrado desde que Paulo Bento, contra tudo e contra todos, o lançou como titular dos leões, consegui-lo significa dar um passo determinante para se consolidar como ser humano. O ponto da situação foi feito por José Mourinho, depois do jogo para a Champions: “Não me lembro de uma exibição tão decisiva como a de hoje. Foi fantástico.”

2 - Patrício está a cimentar uma lenda como especialista na luta direta com os avançados; como guarda-redes que, sendo apenas um homem, se transforma em monstro inultrapassável para quem lhe surge pela frente. É nessas alturas que a intimidação emerge como arma dos senhores das balizas, cujo acesso à lenda eterna e à conquista de um lugar entre os melhores assenta em duelo desigual: se o guardião do templo só tem a ganhar e luta para ser protagonista, o assaltante só tem a perder e procura apenas cumprir a obrigação. De resto, a condição primária do atirador é a capacidade para suportar o medo de falhar. A forma como Rui Patrício impõe respeito a tantas estrelas é claro identificador de um enorme guarda-redes, que atingiu estatuto só ao alcance dos prodígios.

3 - Tal como o penálti, o um para um não se depura no laboratório que é o treino. As bancadas desertas e a irrelevância do momento não teatralizam todas as tensões do jogo. Raros são aqueles que fundamentam, ao mais alto nível de exigência, a aura que põe a tremer ilustres invasores em condições para o cumprimento do dever; é impressionante ver Diego Costa, Oscar ou Jackson Martínez arrancarem com a imponência de grandes senhores do futebol e acabarem a viagem assustados só porque um super-homem lhes apareceu pela frente e os conduziu ao erro. Para lá do medo que incute, o capitão leonino é de uma precisão extraordinária na forma como utiliza todos os segmentos corporais na abordagem aos lances. A vantagem é psicológica. Mas é técnica também.

4 - Rui Patrício não vive apenas um parênteses de reconhecimento e felicidade. Digerido o veneno mastigado ao longo de um percurso cheio de obstáculos, incompreensões, dúvidas e demais grosserias que o puseram em causa, iniciou há muito o processo de consolidação de competências como um dos melhores guarda-redes da atualidade. Para ser fenómeno absoluto e entrar na história com a dimensão que o seu talento justifica, precisa agora que o Sporting lhe dê o amparo de títulos; que a Seleção faça dele herói num grande palco internacional; ou que concretize, ele próprio, o anunciado voo para outras paragens. No futebol atual, mesmo reconhecendo a qualidade superior de muitos parceiros de função, só tem vedado o acesso à baliza de um grande europeu: o Bayern Munique de Neuer. Todas as outras portas estão abertas. Tem o Mundo nas mãos.

O horizonte de Ola John

Frente a Moreirense e Arouca, saiu do banco para associar o nome à vitória benfiquista

Com Olá John o futebol regressa à rua, ao gosto de ter a bola e jogar por prazer. O holandês tem um dom de avanço em relação à maioria, mas não lhe agrega o necessário sentido de responsabilidade. Está ali, faz os seus números, expressa talento avulso mas é indiferente ao contexto em que está envolvido. Se encanta e é decisivo, chamam-lhe fenómeno; se desilude e faz asneiras, dizem que é uma fraude. No dia em que estabelecer um compromisso duradouro com a equipa e com o jogo, tem no horizonte um lugar entre os melhores. Ele e Jorge Jesus têm a palavra.

Quintero é um jogador único

É um caso difícil de explicar ou mesmo de aceitar para quem o vê e analisa do lado de fora

Quintero é um génio. Um daqueles mágicos deslumbrantes que melhoram cada bola que lhe passa pelos pés; que inventa espaços onde eles não existem e tira sucessivos coelhos da cartola em hora e meia; que serve para encantar plateias e, está mais do que visto, para ganhar jogos. De cada vez que lhe dão uma oportunidade digna desse nome, faz coisas que nenhum outro jogador da Liga é capaz de repetir. Alguma razão há de haver para que tantos treinadores lhe recusem um lugar no onze. E o mais intrigante no meio de tudo isto é não percebermos que motivos são esses.

CR7 na pele de extraterrestre

É escandaloso o efeito que um só futebolista pode ter na produção de uma equipa

CR7 está a 53 golos de se tornar no goleador máximo do clube mais ganhador da história do futebol. Parece impossível que, em pleno século XXI, alguém chegue ao Real Madrid e, em cinco anos, assine 270 golos em 257 jogos. São números que contrariam uma tendência de décadas em que a ordem se sobrepôs à aventura; o coletivo superou o individual; os defesas levaram a melhor sobre os avançados. Já marcou 17 golos. Se fizer mais 54 roubará o cetro a Raúl. Só o facto de admitirmos que é possível consegui-lo nesta época confirma o que já se sabe: estamos perante um extraterrestre.

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