Pau para toda a obra
Sem dinheiro para grandes aventuras no mercado, os clubes portugueses têm virado atenções para os próprios plantéis, na tentativa de encontrararem novas soluções.
Os jogadores polivalentes, capazes de jogar em mais do que uma posição, estão a ser cada vez mais apreciados e assumem-se como “jokers” na estratégia dos treinadores. Como diz o ditado, quem não tem cão, caça com gato.
Os próprios critérios de contratação dos clubes nacionais já levam em conta a versatilidade dos atletas e a capacidade de executarem várias funções dentro de campo. Neste aspeto, o FC Porto é um bom exemplo e a contratatação do central mexicano Diego Reyes, que também pode alinhar como trinco, encaixa neste perfil.
Mas olhemos para o atual plantel do Dragão. Danilo sempre afirmou que é um centrocampista, mas consolidou a titularidade na lateral direita. Por seu turno, os centrais Maicon (à direita) e Mangala (à esquerda) ganharam espaço nas laterais e hoje cumprem a posição com eficiência. É um mérito de Vítor Pereira que, face à escassez de opções, soube encontrar novos executantes. E como se viu em Setúbal, o lateral Alex Sandro também pode jogar a extremo esquerdo.
Porém, o maior trunfo portista, capaz de cobrir várias zonas com eficiência, é o belga Defour. Pode não ser vistoso, não ter a finta mais habilidosa, mas é um jogador que qualquer treinador gostaria de ter, pela disponibilidade e capacidade de adaptação a novas funções. Já alinhou a trinco, médio ofensivo, lateral e extremo, cumprindo sempre o que lhe pedem. E até a maior estrela portista, James Rodríguez, pode jogar nas alas ou organizar jogo no meio.
Jorge Jesus também gosta de explorar as capacidades dos seus jogadores. O treinador do Benfica encontrou em Enzo Pérez, médio ofensivo mais ambientado às faixas, as qualidades ideais para fazer dele um médio box to box, capaz de defender e atacar. A aposta revelou-se certíssima, já que a qualidade técnica e leitura de jogo do argentino encaixaram que nem uma luva na equipa.
No entanto, a grande façanha de Jesus, a mais surpreendente e inicialmente muito criticada, foi a colocação de Melgarejo a lateral esquerdo. Um jovem avançado, que no ano anterior até se mostrara goleador em Paços de Ferreira, virou defesa promissor e hoje já ninguém o coloca em causa. Foi uma ótima medida de gestão desportiva e financeira de uma equipa que tem ainda o trunfo André Almeida para jogar a lateral ou trinco.
Em Alvalade, a versatilidade também não é problema. Miguel Lopes alinha a lateral direito, mas também o pode fazer na esquerda. O jovem Eric Dier, central de origem, já mostrou que pode ser bem precioso na direita. E até Marcos Rojo, que até agora só vimos atuar como central, pode jogar como defesa esquerdo, a exemplo do que faz na seleção argentina.
Pelo Sp. Braga figura igualmente uma adaptação bem sucedida: a de Leandro Salino que trocou o meio campo pela lateral direita com muita qualidade. E Rúben Amorim faz um pouco o papel de Defour, podendo ajudar em posições recuadas ou avançadas de acordo com as necessidades. E há ainda Custódio, trinco de raiz, que poderá ser central no próximo jogo com o Benfica.
A necessidade aguça o engenho e neste aspecto os clubes portugueses têm estado bem. Com bons profissionais, os objetivos ficam mais fáceis de cumprir. A um joker não se pede exuberância, mas sim espírito de sacrifício e competência. Podem ser vitais para a conquista de vitórias.
O Craque – O sonho ainda vai a tempo
Vítor é um dos jogadores em maior evidência na equipa do Paços de Ferreira. É um médio criativo, com excelente leitura de jogo e qualidade de passe, que também costuma aparecer na zona de finalização. Tem futebol para maiores ambições e custa a acreditar como é que esteve encondido durante tanto tempo nas divisões secundárias e só agora, com 29 anos, é que teve a oportunidade de brilhar na 1.ª Liga. O alegado interesse do Benfica, a concretizar-se, seria um justo prémio, para um jogador que tenta recuperar o tempo perdido.
A Jogada – Bons reforços para Barcelos
O Gil Vicente está a ser uma das equipas mais ativas neste mercado de inverno. A equipa de Barcelos arrancou para esta temporada sem algumas das estrelas da época passada e não conseguiu manter a mesma bitola exibicional. Mas os novos reforços prometem apetrechar a equipa. Os regressos do médio João Vilela e do avançado Hugo Vieira, assim como as contratações de Vítor Vinha, Luís Martins e do ex-benfiquista Paulo Jorge trarão qualidade. E é grande a expetativa de saber o que vale o avançado argentino Gabriel Rodriguez, que outrora já chegou a despertar o interesse do Liverpool.
A Dúvida – Um enigma chamado Iturbe
Desde que chegou a Portugal, o argentino Juan Iturbe tem-se revelado um enigma. Veio rotulado de prodígio, mas raramente foi utilizado no FC Porto. Apesar das poucas oportunidades, a verdade é que sempre que jou o atleta não conseguiu mostrar as credenciais que trazia. A tenra idade aconselha a paciência e a equipa B portista parecia o laboratório ideal para potenciar o seu reconhecido talento.
Surpreendentemente, o jogador assume a pretensão de sair e o seu empresário parece ter aberto uma “guerra” com o FC Porto. Estará aqui, nos seus representantes, uma das razões para não ter jogado mais?
