Pensa nisto, Cristiano

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Pensa nisto, Cristiano
Pensa nisto, Cristiano

Cristiano Ronaldo disse esta semana que Portugal é um país pequeno, com apenas 10 milhões de habitantes e que assim seria sempre complicado encontrar jogadores de top. Realçou ainda que conquistar um Europeu ou um Mundial seria sempre um objetivo difícil de alcançar mas, ainda assim, não perde a confiança de que um título seríamos sempre capazes de ganhar, deixando esta esperança já para o Euro’2016.

Estou completamente de acordo com o Cristiano quando diz que somos um país pequeno e que é praticamente impossível competir com países que têm populações muito superiores à nossa. Exemplos disso são a recente campeã mundial Alemanha, com 80 milhões de habitantes, e o Brasil, com perto de 200 milhões, que fazem deste o quinto maior país do Planeta em termos de populacionais. Não é por acaso que juntas têm nove títulos mundiais na história do futebol. Se pensarmos também na Itália, com 60 milhões de habitantes e quatro estrelas na sua camisola, tudo parece encaixar. A matemática não mente.

Por outro lado, quando o Cristiano diz que é complicado encontrar jogadores de top penso que se estava a referir aos tempos que vivemos no presente e especialmente ao que nos reserva o futuro. Ao longo da nossa história nunca ganhámos qualquer título importante mas sempre tivemos jogadores de topo mundial e, em algumas gerações, a quantidade de jogadores com qualidade foi tão grande que era sempre uma dor de cabeça tremenda para o selecionador não só escolher o onze inicial como também decidir os convocados. Existia sempre o risco de injustamente deixar verdadeiros craques de fora!

Por isto penso que o que queria dizer o Cristiano com estas declarações é também a opinião da grande maioria. Para que Portugal continue a ter jogadores de top no futuro próximo os jovens portugueses têm de ter oportunidades para demonstrarem o seu talento e para isto têm de jogar. Assim só existe uma solução: a obrigação de jogarem em todas as equipas da primeira e segunda liga um mínimo de quatro portugueses no onze inicial.

Nada tenho contra estrangeiros, eu mesmo fui um durante grande parte da minha carreira a jogar noutros campeonatos em variadíssimos países. Adoro os jogadores de grande qualidade que existem no nosso campeonato como são Jackson, Enzo Pérez, Slimani entre outros, pelo talento que têm são uma mais-valia para o nosso campeonato. O que não entendo e estou completamente contra é com os estrangeiros de pouca qualidade, os de “meia tigela” que a única coisa que fazem é retirar espaço aos nossos jovens. É contra esta situação que todos devemos lutar pois se ninguém fizer nada dentro de muito pouco tempo não teremos jogadores top e ficaremos condenados a ter uma Seleção medíocre.

Para terminar gostava de deixar uma palavra ao nosso menino: Cristiano, tu és o melhor jogador de futebol do Mundo e podes começar a sê-lo também fora das quatro linhas. A tua opinião vale ouro e é respeitada por todos. Se começares a lutar já contra os organismos que mandam no nosso futebol e também fizeres ruído publicamente não tenho dúvidas que as regras mais cedo ou mais tarde mudarão. Quem sabe se no Campeonato do Mundo de 2018 não poderás liderar uma Seleção cheia de jovens talentos pelos quais tu lutaste? Pensa nisto menino, serias o nosso herói também fora das quatro linhas!

GRANDE CALDEIRADA - O caso Trochowski

O internacional alemão Trochowski, depois de representar o Sevilha nas últimas três épocas, chegou a acordo para rescindir o contrato no dia 1 de setembro. Até aqui tudo normal. Anormais foram as declarações do jogador na sexta-feira quando lhe perguntaram se estava à procura de equipa: “Para quê? Se ainda sou jogador do Sevilha...” Já o Sevilha confirma que o alemão rescindiu e que já não pode treinar-se no clube. É uma situação surreal. Incrível como na melhor liga do Mundo para a grande maioria, ainda aconteçam este tipo de caldeiradas.

NÓS LÁ FORA - Aqui está um exemplo

O Valencia foi uma das equipas que mais jogadores contratou e investiu durante o verão. A última grande contratação no último dia do mercado foi Álvaro Negredo. Sem dúvida que os valencianos reforçaram-se muito bem. Vi os dois jogos deles, o empate em Sevilha e a vitória frente ao Málaga, e no meio de todos aqueles craques o central titular é um menino português de 20 anos. Rúben Vezo, ex-V. Setúbal e titularíssimo do multimilionário Valencia. Cristiano, vês o talento que temos em Portugal? O grande exemplo está aqui e deixo-te esta pergunta: não achas que o Rúben Vezo podia estar em qualquer plantel dos três grandes portugueses? Parabéns Rúben, continua assim campeão!

DO MEU ÁLBUM - Tranquilidade

Recordo a felicidade ou tristeza que sentia na primeira semana depois de cada 31 de agosto durante o meu tempo como profissional. Feliz porque tinha ficado na equipa que queria estar ou porque tinha mudado para um clube que sonhava estar. Outras vezes triste porque queria mudar e os clubes não chegavam a acordo. Mas o que era certo, e apesar do meu estado de ansiedade e toda a intranquilidade que sentia durante todos os dias em cada mês de agosto por não saber se mudava de clube e de país deixavam de existir. Na primeira semana de setembro voltava de novo a desejada tranquilidade.

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