Pepe e a Selecção Nacional

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Tudo aponta no sentido de Pepe fazer parte da próxima convocatória da Selecção Nacional de futebol. Tendo em conta que todos os requisitos legais estão cumpridos e que a Federação dirigida por Gilberto Madaíl não coloca entraves, a chamada do central do Real Madrid passa a ser uma mera opção futebolística do seleccionador Scolari. E como em todas as outras convocações, independentemente de concordarmos com os nomes, assiste-lhe legitimidade para chamar quem bem entender.

Mas, tal como defendi quando se falaram de outros futebolistas, não concordo com a chamada de Pepe. Para mim - e fazendo questão de assumir, antecipadamente, que não tenho nada de xenófobo -, o madrileno é um excelente futebolista, mas deveria ser internacional pelo Brasil e não por Portugal.

Considero louvável que Pepe sempre tenha dito que preferia ser internacional luso em vez de canarinho. E então agora, detentor de passaporte comunitário e já ao serviço de um dos emblemas mais cotados a nível mundial, o defesa podia perfeitamente mudar de discurso ou, pura e simplesmente, deixar de estar disponível para representar Portugal. Porém, tem-se mantido fiel às suas ideias e isso, num mundo cada vez mais hipócrita, merece-me o maior dos elogios.

Mas, por mais que me pareça óbvio enaltecer o comportamento do homem – já para não falar das qualidades do futebolista -, mantenho o princípio de não concordar com a sua chamada à Selecção. Portugal, felizmente, tem, hoje em dia, soluções de sobra para formar um conjunto capaz de derrotar qualquer equipa mundial. E no posto específico de central, creio que Ricardo Carvalho, Jorge Andrade e Fernando Meira chegam bem para as necessidades. E quando aparecem lesões ou quebras de forma (como sucede agora), penso que Manuel da Costa, Nunes, Tonel, Ricardo Rocha, Bruno Alves ou o versátil Caneira podem resolver o problema.

No passado recente abriu-se um precedente com Deco, agora é a vez de Pepe e, pelo meio, falou-se em Derlei e Liedson. Eu sei que, por esse Mundo fora, estas situações são cada vez mais vulgares, mas isso não me leva a concordar com elas. Aceito, sem a mínima reserva, que todos os cidadãos obtenham a nacionalidade portuguesa quando reúnem os requisitos necessários. Mas, como sempre disse, daí a representar o País vai (ou devia ir) uma grande distância. Não gosto de imaginar uma Selecção Nacional recheada de lusos-brasileiros ou lusos-qualquer coisa.

Ainda por cima, tudo isto é mais confuso quando, no basquetebol, a Selecção vive uma situação dramática em vésperas de arrancar para uma histórica presença na fase final do Campeonato da Europa. Carlos Andrade e João “Betinho” Gomes, ambos naturais de Cabo Verde, disputam uma única vaga disponível para naturalizados. No caso de Andrade, estamos a falar de alguém que veio para o nosso País ainda criança; que só começou a jogar basquetebol em Portugal e que até tem uma irmã que há mais de uma década representa as cores lusas. Faz sentido ele não poder jogar com “Betinho” o Europeu, mas, hipoteticamente, na mesma altura a Selecção de futebol actuar com Pepe e Deco ao mesmo tempo? Não me parece...

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