Perdeu a Grécia, ganhou o futebol
A campeã em título começou a sua aventura no Euro'2008 a perder. Ainda bem! Digo isto e, sinceramente, não tem só a ver com o facto de, ainda hoje, quatro anos volvidos, continuar revoltado com a desfeita que os gregos nos provocaram quando, contra todas as previsões, venceram o Europeu que decorreu no nosso País e, aparentemente, estava destinado a ser ganho por Figo, Rui Costa, Pauleta e companhia. O que me enerva mesmo nos gregos é o seu modelo de jogo. Ou melhor: a ausência de qualquer sistema ou modelo. Eles, basicamente, não jogam futebol.
Já sei que, para muita gente, as críticas feitas à formação helénica não são justas. Recordam, com propriedade, que jogando assim ou assado são os actuais campeões europeus. E quanto a isso, admito, estamos conversados. É mesmo verdade. Mas, sejamos objectivos, alguém que gosta de futebol consegue dizer que sente prazer quando vê os pupilos de Rehhagel em campo? Duvido...
O que se viu durante a primeira parte do Grécia-Suécia devia ser proibido. Já basta, de tempos a tempos, levarmos com equipas a jogar para os lados nas jornadas finais das fases de qualificação de Mundiais e Europeus, tentando assegurar a presenças nos oitavos ou quartos-de-final. Mas, logo no embate de estreia? Por volta da meia-hora de jogo?
Os gregos, com sorte ou sem ela, são os actuais campeões, mas ninguém imagina um desfecho idêntico nos relvados suíços e gregos. A história repete-se muitas vezes, mas neste particular é virtualmente impossível isso suceder. Aliás, se a Grécia lograr o apuramento para os "quartos", creio que já se pode dar por feliz. Não tem talento, nem futebol, para mais. Como não tinha em 2004, é certo...
Bom, assumo que vou assistir com alguma curiosidade aos próximos desempenhos da equipa dos "portugueses" Karagounis, Katsouranis e Seitaridis. Não quero acreditar que, mesmo precisando de pontos, vão manter-se fiéis aos seus princípios hiper-defensivos mas, o melhor, é esperar para ver. Por enquanto, sorrio ao ler o seccionador grego lamentar a falta de "espírito combativo" no duelo com os nórdicos. Pois...
Entretanto, uma palavra para a Espanha. Ainda é cedo para se saber se os nossos vizinhos vão voltar a falhar numa grande competição internacional, mas a forma decidida e eficiente como "aviaram" a Rússia - e logo com esclarecedores 4-1 - promete uma caminhada interessante. Pelo menos, até ver.
