Pés de salsa

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Pés de salsa
Pés de salsa

Quinta-feira, 24 de março. Este é um dia de movimentos incríveis em Portugal. Ontem o Governo caiu. Hoje, os mercados estão acelerados com a perspetiva do nosso pedido de ajuda ao FMI. Hoje, o primeiro-ministro entra numa cimeira europeia decisiva mas está demissionário. Ainda bem que há jornais desportivos, de outra forma não haveria alternativa a ficar deprimido. Será?

Sim e não. Trazemos da última semana uma vitória europeia expressiva e merecida de clubes portugueses. Mas isso já lá vai. Porque os dois assuntos que dominam o noticiário desportivo não trazem muitas alegrias aos leitores. Alguns são mesmo muito tristes: o apedrejamento ao autocarro do Benfica e ao automóvel do seu presidente; e as eleições de sábado do Sporting.

Comecemos pelo Sporting. Da situação financeira já aqui escrevemos as vezes suficientes para alertar para os falsos milagres: as contas de um clube não se resolvem como os pudins instantâneos, não basta juntar água para ficarem no ponto certo. Acresce a situação desportiva: cada candidato tem os seus trunfos. Como dizia ontem um jornalista, se o Sporting pudesse contratar todos os treinadores que estão a jogo teria consigo a equipa de sonho dos anos 80. Mas a decisão está nas mãos de quem deve: dos sócios.

Já quanto ao infame apedrejamento aos benfiquistas, dou toda a razão a Luís Filipe Vieira: não é aceitável que dirigentes desportivos não se demarquem nem recriminem quaisquer atos de violência. Tratar aqueles que o fazem como “pés de salsa” é em si mesmo um incitamento, lamentável e desprezível. Repudiá-lo seria, isso sim, uma pedrada no charco.

PS: não conheci Artur Agostinho. Mas era seu leitor e admirador. Humildemente me associo à homenagem que o Record – e o desporto português – lhe prestam.

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