Pescar no lago dos tubarões
No princípio, era o Brasil. Depois, a Argentina e outros países sul-americanos. A malha arrastou-se a mercados menos endinheirados na Europa (Balcãs, Bélgica e Holanda) e agora chega a Alemanha. É no país campeão do mundo de futebol que o Benfica mais se tem mexido nos últimos tempos, à procura de craques que respondam às necessidades de um futuro próximo. Os alvos têm sido muitos - Christoph Kramer, Yannick Gerhardt, Loris Karius, Marcell Jansen, Besar Halimi, agora Hany Mukhtar, numa prova da qualidade do trabalho de prospeção das águias.
Para um alemão com ambições de fazer uma carreira de alto nível no futebol europeu, é difícil perceber o interesse em mudar-se para Portugal, mesmo que para um clube de topo. Em qualquer Colónia ou Hertha de Berlim, estarão a disputar uma das principais ligas do mundo, em estádios permanentemente cheios, com salários à alemã. Trocar isso por futebol à segunda-feira à noite, perante 500 espectadores e em batatais a fazer de relvados, é algo que não está nos planos de ninguém. Para a maior parte deles, sobretudo os mais novos, jogar em Portugal é como jogar na Grécia; isto é, dar um passo atrás na carreira.
Por isso, a iminente contratação de Hany Mukhtar poderá ser um golpe de mestre das águias no mercado. Trata-se de um futebolista que esteve em todas as seleções jovens da Alemanha desde os sub-15, era uma das grandes figuras da equipa que derrotou Portugal na final do último Europeu de sub-19 e tinha pretendentes um pouco por toda a Bundesliga. Para se ter uma ideia do potencial de Mukhtar, basta compará-lo com o médio-defensivo Joshua Kimmich, seu colega na equipa germânica de sub-20: também tem 19 anos, menos jogos pelas seleções jovens e o Bayern pagou ontem 7 milhões de euros para contratá-lo ao Estugarda.
Só o tempo dirá se Mukhtar é ou não um grande reforço para o Benfica, pois nestas idades há sempre muita coisa que pode correr mal. Mas uma coisa é certa: tem tudo para correr bem.
