Pinto da Costa ao balneário
Jogou-se o primeiro Sporting-FC Porto da temporada. É uma partida muito especial para qualquer adepto, para qualquer amante do futebol português. Seja em que momento for, em quaisquer condições, um clássico é sempre um clássico. O campeonato está muito equilibrado e era um desafio que, mesmo sendo apenas à 6.ª jornada, já poderia começar a definir um pouco o que o futuro poderia trazer. Foram 90 minutos loucos, com uma intensidade tremenda, com jogadores de uma qualidade incrível e acima de tudo com um ambiente fantástico.
Ambas as equipas mostraram uma vontade enorme de vencer. O Sporting fez o golo logo aos dois minutos e isso levou-os para uma primeira parte muito boa ,que só não resultou em mais golos porque as oportunidades que existiram não foram concretizadas. Já na segunda parte, o FC Porto, com as substituições que fez, equilibrou a partida e por vezes conseguiu ser superior, tendo criado também oportunidades claras de golo. Um jogo vibrante do primeiro ao último minuto que acabou com um empate a um golo. Isto é futebol!
Sem dúvida alguma que um clássico é também um jogo muito especial para qualquer profissional. É sempre um momento que pode ficar na história, seja pelo lado positivo ou negativo. Por isto mesmo, não posso deixar de falar no Quaresma. Fazia 31 anos e, depois de toda a polémica que existiu no início do campeonato, voltava a ser titular ainda para mais num jogo em que defrontava a equipa que o lançou para o futebol. Era o dia perfeito para ser o grande protagonista e resolver o encontro sozinho com o seu talento, tornando-se no homem do jogo. Mas tudo foi um verdadeiro pesadelo para o craque portista, ainda para mais sendo substituído ao intervalo. Tratando-se de um jogador consagrado, que já provou tudo o que tinha a provar no futebol, eu não tenho a mínima dúvida, e ainda para mais conhecendo a sua personalidade, que após a substituição e quando a equipa subiu para a segunda parte, muito provavelmente, ao ficar sozinho no balneário, destruiu os chuveiros e cabides por completo.
Para uma estrela como o Quaresma, ser substituído ao intervalo é quase uma humilhação! É preciso muita coragem para fazer esta alteração. Foi uma decisão de alto risco do Lopetegui. Felizmente para o treinador espanhol correu bem e a equipa conseguiu o empate, mas, se tal não acontecesse, seria um fogo muito difícil de apagar dentro do balneário. Pelo caráter que tem, sendo um dos líderes do grupo, depois de lhe ser retirada de forma injustificada a braçadeira de capitão e após o acontecimento desta sexta-feira, acredito que o Quaresma não irá esquecer isto tão cedo e, se os resultados não aparecem, estará preparado para, em linguagem futebolística “fazer a cama” ao treinador, “minando o balneário”.
Só um irá sobreviver. Lopetegui ou Quaresma. E a única solução para resolver este grave problema é a intervenção urgente do presidente Pinto da Costa. Recordo-me dos incêndios que ele apagou no meu tempo com jogadores de grande caráter como eu, o Madjer, entre outros. Eram situações também muito difíceis e complicadas como a que vive o atual plantel portista e só um génio como ele as pode resolver. Mais do que nunca o balneário do FC Porto precisa do Pinto da Costa.
GRANDE CALDEIRADA
A grande injustiça
Na semana passada, durante o empate do meu Atlético Madrid em casa frente ao Celta de Vigo, os adeptos colchoneros, que, para mim, são os melhores do Mundo, não foram justos. Foram a pior claque por alguns minutos, ao assobiarem o treinador Diego Simeone. Acredito que não estivessem totalmente felizes com o resultado, mas não deviam ter memória tão curta. O treinador apanhou a equipa nos últimos lugares da classificação e colocou-a novamente na rota dos títulos, ganhando a Liga Europa, Supertaça Europeia, campeonato espanhol e Taça do Rei. Conseguiu ainda a presença na final da Liga dos Campeões do ano passado. Ele não merecia esta grande injustiça. Este ano começou novamente bem, ao vencer a Supertaça de Espanha, frente ao nosso eterno rival Real Madrid, que tem um orçamento muito superior ao do Atlético. Esta foi uma das maiores injustiças que vi acontecer num campo de futebol! E logo no mítico Estádio Vicente Calderón.
NÓS LÁ FORA
Grandes meninos!
Antes de começar esta a 6.ª jornada do campeonato espanhol, o Valencia seguia em primeiro lugar juntamente com o Barcelona. O Nuno Espírito Santo, jogo a jogo, continua a demonstrar o grande treinador que é e ainda por cima com dois jovens portugueses a titular. O André Gomes e o João Cancelo, que atuaram os 90 minutos no último jogo contra o Córdoba e estiveram num grande nível, tendo sido destacados por toda a imprensa espanhola. Dois autênticos craques que estão a demonstrar que o jovem português tem muito valor. Parabéns meninos!
DO MEU ÁLBUM
Memórias de um clássico
Um clássico é sempre um momento único para qualquer jogador. Tive o privilégio de disputar muitos, tanto em Portugal como em todos os outros campeonatos que passei, mas, se tivesse de escolher um, sem dúvida que seria o primeiro que fiz com a camisola do FCPorto no Estádio de Alvalade. Era ainda um jovem, tinha 18 anos. Tinha sido formado no Sporting e o ambiente era tremendo contra mim. Lembro-me como se fosse hoje, a levar com laranjas durante os 90 minutos, mas nunca me queixei porque amava jogar futebol.
