Pinto e os gorilas

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Pinto e os gorilas
Pinto e os gorilas

Os debates sobre futebol com a receita “coloca-se um adepto de cada clube grande e deixa-se ferver” já só resistem no cabo. São de uma falta de imaginação atroz e apelam ao mais básico instinto clubista. Alguns formatos sobrevivem pela especial qualidade humana ou conhecimento das matérias de alguns opinadores.

Eduardo Barroso, José Guilherme Aguiar, Dias Ferreira, Fernando Seara são figuras que, cada um a seu jeito, salvam os programas pela espessura que transmitem. Na mesma linha fica o elogio póstumo a Pôncio Monteiro. Também inesquecíveis, as prestações de Hernâni Gonçalves, João Braga e Leonor Pinhão, num formato que me coube conduzir na TVI no final do século passado – para eles um forte abraço de admiração e amizade!

Na plano oposto dos nomes de excelência que acima deixei – embora, repito, muito crítico destes formatos, que cultivam básicos maniqueísmos triangulares – estão figuras sem chama, saber ou génio, como a de Rui Gomes da Silva. As intervenções de Rui Gomes da Silva são intragáveis. Aproximam o estúdio de uma caverna cheia de homens sem luz. Mas nem alguém que só vislumbra – refiro-me apenas ao programa sobre futebol, não à suas qualidades de ilustre jurista ou de ex-governante – sombras ou vermelho pode ser intimidado numa rua de Portugal por delito de opinião.

O regresso a um clima bélico entre FC Porto e Benfica é inaceitável. Como inaceitáveis são as declarações de Pinto da Costa após o incidente. E se a Rui Gomes da Silva se pode assacar o tom televisivo arruaceiro à manifesta falta de jeito e saber, já Pinto da Costa não goza de nenhuma destas atenuantes. Ele que tão bem mede o peso das palavras e conhece o preço do combustível derramado. Se Rui Gomes da Silva, a falar de futebol, é um insulto à inteligência; as palavras de Pinto da Costa são um tresloucado e criminoso apelo à violência.

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