Pinto e vírgula no abraço a Jesus

Adicione como fonte preferencial no Google
Pinto e vírgula no abraço a Jesus
Pinto e vírgula no abraço a Jesus

Era agora, num momento difícil para os dragões, que o Benfica tinha de “acertar contas” com o FC Porto. Não foi esse o entendimento. E, por isso, o abraço de Pinto da Costa a Jorge Jesus faz todo o sentido.

Taça de Portugal, FC Porto-Benfica, 1.ª mão das meias-finais. Ponto final, reticências ou... Pinto e vírgula? Compreendo que, ao ter o “pássaro” (do campeonato) na mão, o Benfica não o queira ver a voar. Uma coisa é ponderação; outra coisa é medo. E outra coisa igualmente diferente é falta de visão/compreensão estratégica. Era agora, num momento particularmente difícil para os dragões, que o Benfica tinha de “acertar contas” com o FC Porto. Não foi esse o entendimento dos encarnados. E, por isso, o abraço de Pinto da Costa a Jorge Jesus faz todo o sentido. Em vez de ponto final, Pinto e vírgula... e mais uma oportunidade perdida de suscitar interrogações mais profundas à massa associativa dos azuis-e-brancos.

Pode o Benfica, no jogo da segunda mão, dar a volta à eliminatória e seguir para a final? Sem dúvida. Mas em quantas situações, no passado recente, o Benfica visitou o Dragão com o FC Porto à beira do KO? Não é verdade que o FC Porto ganhou algum lastro de clube dominador, para além do que foi fazendo época a época no campeonato português, depois de ter desencadeado no adversário a vontade (consumada) de ligação do sistema de rega, em pleno Estádio da Luz e... às escuras? Não foi depois desse episódio marcante que Luís Filipe Vieira decidiu abandonar o confronto directo com Pinto da Costa? Alguém acha que, nesse jogo, em 2011, “só” estavam em jogo 3 pontos e o título de campeão nacional?

Ponto final: um FC Porto-Benfica ou um Benfica-FC Porto, seja qual for a prova em que se realize, é mais do que um jogo de futebol, principalmente depois de os dragões terem ganho supremacia sobre os encarnados e num momento crucial em que os encarnados querem recuperar a hegemonia que já protagonizaram. Não entender isto é não entender nada do que está em causa no futebol nacional e, se os treinadores, aqui e ali, não entendem isso, porque estão demasiado fixados na hora e meia de cada partida e nos objectivos desportivos a curtíssimo prazo, têm de ser as SAD e os seus presidentes a fazer perceber que um clube, no seu percurso de afirmação, não pode capitular relativamente a princípios de natureza estratégica. Num FC Porto-Benfica, seja ele qual for, e principalmente num quadro de amplas soluções como aquele que é apresentado, esta época, pelo plantel benfiquista, não se devem fazer concessões. Basta lembrar que, quando o Benfica foi ao Dragão perder o campeonato na época passada, Jesus não tinha melhor do que Roderick para lançar na parte final do jogo. Muita gente se esquece disso e, se a SAD fez um esforço para reforçar/equilibrar o plantel, não faz sentido – sempre na ideia de que um FC Porto-Benfica é sempre mais do que um jogo de futebol e, principalmente, numa situação em que o encontro com o Braga só acontece cerca de 90 horas (!) depois do clássico – uma gestão tão próxima dos interesses do... Pinto e vírgula!

Não foi por acaso que Pinto da Costa se mostrou muito satisfeito com a “fantástica exibição” do FC Porto frente ao Benfica. A pior coisa que poderia acontecer ao líder dos dragões era uma derrota, em casa, no confronto com o seu maior rival das últimas temporadas. “Dá cá um abraço, meu querido amigo Jorge!”

Não é preciso fazer um desenho para perceber que Jorge Jesus tem consideração por Pinto da Costa. Também não é preciso fazer um desenho para perceber que Pinto da Costa gosta de Jorge Jesus. Luís Filipe Vieira já gostou de Pinto da Costa (quando era presidente do Alverca) e, agora, mantém-no à distância. Vieira teve visão quando foi buscar Jesus ao Minho. Foi Jesus, aliás, quem disse, em plena sala de imprensa do Estádio da Luz, após um Benfica-Sp. Braga, por causa de erros graves de arbitragem, que “eles não deixam” o Braga chegar-se aos três grandes e que algumas coisas só conseguiria resolver na Playstation. Há uma espécie de fascínio de Jorge Jesus por Pinto da Costa, talvez porque veja nele o modelo de presidente que protege (como mais ninguém) os seus treinadores. Mesmo considerando as renovações contratuais, por números muito generosos, talvez Jorge Jesus entenda que, pelo valor que atribui a si próprio e pelos muitos milhões que já deu a ganhar ao Benfica (no plano da valorização dos jogadores), mereceria outro tipo de apoio. Parece claro que Jesus, mesmo sabendo que é treinador do Benfica, não prescinde da “amizade” de Pinto da Costa. Ponto final. Já Pinto da Costa continua a gerir a (incómoda) situação a seu bel-prazer. Pinto e vírgula.

NOTA: Isenção fiscal para a final lisboeta da Champions? Num clima de asfixia fiscal para os portugueses?! Depois da troika, a UEFA?...

JARDIM DAS ESTRELAS

André, o Grande

Num futebol de compadrios, favores e máquinas propagandísticas, é tempo de se reconhecer o mérito de AVB em escolher o seu próprio caminho. Podia ter ficado no “colo” de Mourinho. Recusou. Poderia ter ficado no “colo” de Pinto da Costa. Não só recusou, como ousou deixar o presidente do FC Porto de mãos a abanar. Nunca Pinto da Costa tinha dado a outra face. Com AVB, Pinto da Costa deu a outra face e acabou por levar outra estalada (com o processo Will Coort). AVB tem tido alguns desaires? É verdade. Mas está a construir uma carreira que o colocará, a prazo, num plano superior. E sempre, sempre, a pensar pela sua cabeça, algo cada vez mais difícil de alcançar. Em grande.

O CACTO

Fernando Gomes

Fernando, em Janeiro de 2013 (Globoesporte): “Com o Felipão, que já passou pela Europa e esteve muito tempo em Portugal, acho que posso ter a oportunidade de vestir a amarelinha, que é o sonho de todos os jogadores. Como estou aqui há muito tempo, no Brasil há quem pense que sou português. Mas não sou. É impossível [naturalização como português]. Mesmo que alguém me procurasse para me naturalizar eu recusaria. O meu sonho é o Brasil. Tenho a certeza que um dia vou vestir a amarelinha.” Isto é que é... sentido patriótico! Com o patrocínio da FPF e de Fernando Gomes (na foto).

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade