Podolski, Zidane e a FIFA
Embora tenha noção que a maioria dos portugueses não tem a mesma opinião, considero justa a eleição do alemão Podolski como melhor jogador jovem do Mundial em detrimento do nosso Cristiano Ronaldo. O avançado esteve ao seu melhor nível; marcou mais golos que o ainda futebolista do Manchester United; teve um rendimento mais uniforme; fez parte de uma selecção que acabou à frente da portuguesa e, igualmente importante, nunca se envolveu em questões extra-futebol. Como se isso não bastasse, actuou no seu país (embora de adopção) e o prémio acabou por amenizar a derrota dos organizadores nas meias-finais.
O que me surpreendeu nesta distinção foi a estranha necessidade do presidente da FIFA, Joseph Blatter, vir a público elogiar... Cristiano Ronaldo. Creio que as únicas declarações sobre o assunto deviam ter sido dedicadas ao vencedor e não a quem ficou nas posições seguintes. Tanto adjectivo utilizado a qualificar o presente e a prever o futuro do português acabou por soar a desculpa. Só não percebi porquê...
Horas depois da final da prova soube que Zidane fora distinguido como o melhor futebolista do certame. Já supeitava que isso fosse acontecer. E sabem porquê? Essencialmente porque a eleição foi política e premeditada. O francês ganhou o prémio (injustamente, acrescente-se...) com muitos dias de antecedência.
Zidane foi um óptimo futebolista. Um dos melhores da história da modalidade, conforme se atesta pelo facto de três vezes ter recebido o galardão de MVP mundial. A sua arte foi decisiva na conquista de muitos troféus colectivos, sendo de destacar os que conseguiu ao serviço da formação gaulesa. No entanto, por muito bem que tenha jogado nos relvados alemães (e jogou mesmo...), não devia ter arrebatado este prémio.
Em primeiro lugar, a lógica diz-nos que devia ter ganho um italiano. Afinal de contas, foram os transalpinos que ergueram o troféu. Mas, se tal não fosse suficiente, basta relembrar a forma como Zidane se despediu do futebol: derrotado, expulso por agressão e sem a dignidade suficiente para receber a medalha de vice-campeão.
Depois de tanto alarido feito em torno do "fair-play" - serviu de pretexto para mudar, abusivamente, os melhores jogadores de várias partidas, alegando que fulano e cicrano tinham visto um cartão amarelo -, a FIFA não conseguiu manter a postura. O verniz estalou por todos os lados. E, se calhar, foi por isso que o inteligente Blatter se "esqueceu" de entregar a taça a Cannavaro. Aliás, a cerimónia final foi simplesmente surrealista, com o capitão italiano, de costas, a erguer o troféu!
PS - Nada tenho contra os franceses, mas gostei que a Itália tivesse ganho a final. E apreciei o facto de ter sido nos penáltis. Como sempre ouvi dizer... "quem com ferros mata, com ferros morre".
E já agora deixo-vos uma boa notícia: Zidane nunca mais vai eliminar Portugal de Mundiais ou Europeus, com uma grande penalidade...
