Porquê, Benfica o "não" ao sorteio?
Uma vez que o FC Porto recusa-se a debater tudo o que tenha a ver com reformas e melhorias no futebol português, o que pressupõe aceitação relativamente ao actual quadro normativo da bola indígena, é crucial que o Benfica não se afaste da discussão que o Sporting colocou recentemente em cima da mesa, em relação a diversas matérias, entre as quais propostas muito concretas que visam a alteração do status quo na arbitragem. Bem sei que, no auge da “guerra institucional” com o FC Porto, o Benfica avançou, a seu tempo, com um conjunto de críticas e iniciativas, a colocar em causa o sistema organizativo do futebol nacional. Talvez seja por isso que se tenha o entendimento, veiculado pela comunicação social, de que o Benfica não encontra grandes novidades nas ideias apresentadas pelo Sporting para mudar a face do futebol em Portugal.
É bom não esquecer que, em 2005, o presidente do Sporting de então, António Dias da Cunha, procurou criar com o seu homólogo do Benfica, Luís Filipe Vieira, num manifesto, plataformas de entendimento para melhorar a transparência no futebol português. Quer isto dizer que, sempre com o FC Porto metido nas tamanquinhas ou do alto da sua torre de marfim (conforme as perspectivas), os clubes históricos de Lisboa têm tentado “remar contra a maré”, havendo a coincidência (?) de estas matérias eclodirem em momentos de maior contestação relativamente à questões de arbitragem. Bem sei, também, que há outros temas em cima da mesa (fiscalidade, fundos, formação, apostas, violência, policiamento, etc.), mas é a melhor regulação do sector da arbitragem, nos seus múltiplos aspectos, a conferir certamente mais verdade desportiva ao futebol e menos desequilíbrios entre aquilo que são as competências exibidas pelas equipas em campo e o peso das más decisões das arbitragens no resultado final de cada jogo.
Sabemos, todos sabemos, mesmo aqueles que fingem não saber, que a arbitragem foi durante muitos anos um sector clubisticamente controlado. E é este princípio que deve ser discutido com seriedade e duvido que haja qualquer tipo de consenso. Os clubes, sejam eles quais forem, estão prontos para abdicar da sua influência (directa ou, quase sempre, indirecta) no processo de nomeações e classificações? O Sporting, neste pacote de medidas, reivindica um maior peso dos clubes nesse processo. Não acho saudável. Defendo que o sector deveria constituir-se completamente independente, à margem de qualquer tentáculo clubístico, mas, para isso, é necessário que o próprio sector se mostre disponível para se regenerar, tornando-se mais transparente nos seus mecanismos de decisão. E transparência é tudo o que não abunda no sector. As próprias nomeações, hoje, são um processo que, oficiosamente, depende dos vetos que os clubes impõem.
OBenfica defende que as nomeações premeiam o mérito e, nesse sentido, são preferíveis ao sorteio. O Benfica sabe que essa é apenas uma consideração teórica. Na prática, não é assim. Porque se fosse o Benfica, através do seu presidente, não teria criticado tantas vezes o nomeador (Vítor Pereira) como já o fez, no passado e de forma bastante acintosa. Há portanto, neste momento, uma “convergência” com o presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, depois de longos períodos de divergência? Trata-se de uma “convergência” pontual, ia a dizer, cirurgicamente semanal? Ou ela decorre de uma asserção mais estratégica, que passa pelo facto de não deixar que o Sporting assuma uma posição liderante, em matérias tão sensíveis como aquelas que ora vão sendo discutidas? Por que razão não quer o Benfica o sorteio? É estranho que o Benfica esteja satisfeito com a actual lógica das nomeações. Será a convicção de que, apesar de tudo, o Benfica se manifesta satisfeito com o conjunto de nomeações patrocinadas por Vítor Pereira e Antonino Silva? Curioso, no mínimo.
Recordo que o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, aderiu ao movimento “Pela verdade desportiva”, que tentámos impulsionar – com reconhecido êxito –, a favor da introdução das novas tecnologias no futebol. O Sporting (com José Eduardo Bettencourt) e o Sp. Braga (com António Salvador) também aderiram ao movimento. Agora, é Bruno de Carvalho quem se manifesta favorável à utilização do vídeo-árbitro. Aqui está um ponto em que os dois clubes poderiam ser mais assertivos, aproveitando também o facto de, no próximo dia 1 de Março, a International Board prestar-se a discutir a introdução do vídeo no futebol, para além da tecnologia da linha de golo. Há 5 anos afirmei que era uma questão de tempo. Agora, volto a dizer o mesmo, acrescentando: é uma questão de... menos tempo! E talvez fosse o momento de Benfica e Sporting assumirem uma posição conjunta.
Jardim das estrelas
Marco Ferreira - 10 conselhos
O CA da FPF designou o árbitro Marco Ferreira para dirigir o dérbi de amanhã. Deixo-lhe 10 recomendações:
1 – Seja discreto;
2 – Antes do jogo começar, informe os capitães que não pactuará com antidesportivismo e jogo violento;
3 – Nesse momento, diga-lhes que vai tentar deixar correr o jogo, mas que isso depende da atitude que eles exibirem;
4 – No primeiro momento em que haja um claro atropelo às leis do jogo, em matéria disciplinar, chame o capitão da equipa que protagonizar a acção faltosa e diga-lhe que, a partir dali, não haverá um mínimo de condescendência;
5 – Se na primeira acção for de todo impossível não agir disciplinarmente, não deixe de falar com os capitães de equipa para lhes fazer sentir que não haverá tolerância perante manifestações de antidesportivismo.
6 – Deixe jogar o mais possível;
7 – Não expulse nenhum jogador, a não ser por situações “muito graves”.
8 – Só assinale penálti(s) quando tiver a certeza da existência das respectivas faltas.
9 – Seja justo e não olhe a cores.
10 – Não pense em mais nada senão em fazer uma grande arbitragem. Sem protagonismos.
O cacto
Pode ser?
Como é possível o FC Porto, depois de se ter anunciado a renovação contratual de Fernando, estar na iminência de perder um dos seus melhores jogadores dos últimos anos, sem nada lucrar com a sua saída? O que está a acontecer à “estrutura-Porto”?
