Porto campeão
Pelo menos uma vez por ano é preciso escrever um texto assim: só elogios. Mesmo que o texto deste ano tenha um asterisco. Mas já lá vamos. Antes, os elogios: parabéns Porto.
Esta época será histórica para o Porto. E não apenas por ser uma época sem derrotas – mas também porque a equipa reconquistou a centralidade do futebol mais eficaz do País para, utilizando a geografia de José Maria Pedroto, o “a Norte do Mondego”.
No início do ano, o Benfica entrava galopando depois de uma época anterior espetacular. Mas o Porto conseguiu vencer, com um novo treinador que era também um treinador novo. Os resultados foram imediatos porque a solidez já estava no clube, mesmo que a espinha dorsal tenha sido reconstituída nos últimos dois anos, num processo de renovação rápida, que colocou Falcão, Hulk e Moutinho onde estavam Lucho, Lisandro e Quaresma.
Por atacado, o Porto é a melhor equipa portuguesa desde os anos 80, não apenas em futebol mas também em gestão, profissionalismo e política de contratações. E, deixando agora todos os fantasmas de lado, é preciso reconhecer que o elemento estável durante todo este ciclo é o presidente, Pinto da Costa. O novo ciclo estava anunciado, era do Benfica, iniciara-se no ano passado. Mas Pinto da Costa, que agora diz que já não tem idade para ser romântico, renasceu das cinzas em que parecia estar a fundir-se.
Agora, o asterisco: é pena o mau perder do Benfica. Aquele triste espetáculo de apagar as luzes é inesquecível de patético e cobriu de ridículo o “glorioso”. No dia seguinte, o portista Pedro Marques Lopes escrevia no Facebook que o País não merece este Porto. Discordo: o País não merece é este Benfica, o Benfica daquele final de jogo. Nem o País nem os benfiquistas. E agora, liguem as luzes: há campeão.
