Portugal acima de tudo
Senti uma enorme tristeza por ter perdido a final da Champions. Como colchonero, posso dizer que as horas que se seguiram ao jogo foram das mais dolorosas que vivi enquanto adepto do Atlético Madrid. Mas no dia seguinte já estava pronto para ver as coisas pelo lado positivo. E o lado positivo é o Cristiano Ronaldo.
Ao longo da semana passada, disse sempre que queria que o Cristiano marcasse cinco golos e que o Atlético ganhasse 6-5. Ou seja: queria que ele fizesse um grande jogo. Não tive a sorte de ver o meu clube ganhar, mas fico contente por saber que o Cristiano não se lesionou e que estará pronto para o Mundial. Faltam duas semanas até ao nosso jogo de estreia com a Alemanha e acredito que, neste tempo, ele possa recuperar da lesão que lhe deu problemas na ponta final da época, para aparecer a 100 por cento.
A partir de agora só interessa Portugal. O Cristiano, o Pepe e o Fábio Coentrão estão de parabéns pela grande época que fizeram e de certeza que vão ajudar muito a nossa Seleção no Brasil. Temos o privilégio de viajar para este Mundial com o melhor jogador do Mundo na nossa equipa. O Cristiano é Bola de Ouro, Bota de Prata (com 31 golos no campeonato), vencedor da Champions e melhor marcador de sempre numa só época desta competição (17 golos). Como português, sinto um orgulho enorme em ter um craque como ele na nossa equipa. Quem tem um jogador assim, pode sonhar alto. Mas não é só ele.
No Euro’2012, o Paulo Bento demonstrou que sabe unir o grupo e fazer uma equipa de grande qualidade. Perdemos apenas nas meias-finais contra a Espanha nas grandes penalidades. Fomos melhores nos 90 minutos, eles foram superiores no prolongamento e os penáltis são sempre uma lotaria que pode dar para qualquer dos lados. Na Polónia e na Ucrânia, mostrámos que nos podemos bater contra qualquer equipa do Mundo e nada temos a temer. O grupo de jogadores que vai para o Brasil é praticamente o mesmo e, por isso, tenho esperança que podemos fazer um grande Mundial.
Além do Cristiano, temos jogadores que atuam em alguns dos melhores clubes da Europa. Estão habituados à pressão dos grandes jogos e dos grandes momentos. Temos experiência e qualidade em todos os sectores. A juntar a estes, aparecem agora jovens de grande talento como o William Carvalho, principalmente, mas também o André Almeida e o Rafa. Estou convencido de que este grupo pode fazer estragos já no primeiro jogo, frente à Alemanha.
Sei que o país vai estar unido em torno da Seleção. Tive essa experiência enquanto jogador. Quando se está lá dentro, sente-se que todo o país está connosco. Esse fator será muito importante para ultrapassarmos os nossos adversários. Calhou-nos um grupo muito equilibrado. Começamos contra a Alemanha, tal como aconteceu no Euro’2012. Uma das candidatas a vencer o Mundial. Tem grande parte da armada do Bayern Munique, muitos jogadores do Borussia Dortmund e um génio como o Özil. Todos eles comandados pelo selecionador Joachim Löw, que já vai fazer a sua quarta grande competição pela Alemanha (Euros de 2008 e 2012 e Mundial de 2010). Os norte-americanos também são sempre complicados. Uma equipa muito forte no plano físico, que conta com vários jogadores que atuam nos principais campeonatos da Europa. O Gana foi a equipa sensação do último Mundial (eliminado nos quartos-de-final pelo Uruguai nas grandes penalidades) e mantém quase o mesmo grupo, onde se destacam as estrelas Kevin Prince Boateng e o avançado Asamoah Gyan.
Mas estou convencido que temos qualidade suficiente para derrotar qualquer uma destas equipas. Nestas competições, o mais difícil é passar à fase seguinte. Depois de atingirmos essa meta teremos de ter aquela pontinha de sorte que nos faltou no Mundial’2010 e no Euro’2012. Em ambos os jogos, a Espanha nunca foi superior a nós, mas acabou por nos eliminar e foi campeã do Mundo e da Europa. Teve a estrelinha que nos faltou. Pode ser que agora essa felicidade venha para o nosso lado e que nos permita fazer algo muito grande. Podemos sonhar em ser campeões do Mundo. Porque não?
GRANDE CALDEIRADA
A revolta do Fenómeno
Depois dos protestos na Taça das Confederações, depois de Romário ter denunciado as práticas da FIFA na organização do Mundial, chegou a vez de Ronaldo, Fenómeno, mostrar a sua revolta e dizer que está envergonhado por causa dos atrasos nas obras públicas e das promessas não cumpridas pelo governo de Dilma Roussef. Ronaldo pertence ao Comité Organizador Local do Mundial e diz que a competição foi vítima da desorganização do governo. Sente-se engando por saber, agora, que tudo o que foi prometido antes do Mundial não será entregue. O que o governo brasileiro e a FIFA estão a fazer é uma falta de respeito para figuras do futebol mundial como Romário e Ronaldo, mas, acima de tudo, para o povo brasileiro.
NÓS LÁ FORA
Portugueses da Champions
Cristiano Ronaldo, Pepe, Fábio Coentrão e Tiago. Os primeiros três pelo Real Madrid. O último pelo meu Atlético Madrid. A final da Champions teve quatro portugueses em campo. Jogadores que realizaram uma excelente temporada. Todos eles estão de parabéns pelo que conseguiram fazer. Honraram o nome de Portugal mesmo a jogar em equipas espanholas. A organização da final de Lisboa também merece ser felicitada. Correu tudo às mil maravilhas. Uma grande cidade e um país que sabe receber. Os espanhóis saíram deliciados de Lisboa e, certamente, muitos deles vão voltar.
DO MEU ÁLBUM
Parecia o Euro’2004
A tristeza que senti após o jogo da final da Champions, entre o meu Atlético Madrid e o nosso rival Real Madrid, só é comparável à dor que tive na final do Euro’2004 frente a Grécia. Tal como no sábado passado, dessa vez também estava no Estádio da Luz e presenciei, ao vivo, a nossa derrota frente aos gregos. Foi difícil dormir nessa noite. Mas no dia seguinte estava cheio de orgulho pelo que a nossa Seleção tinha alcançado durante toda a prova. O mesmo orgulho que sinto agora pela temporada fantástica que o meu Atlético conseguiu fazer.
