Portugal anima e Bolt voa
1 - A folgada vitória do Benfica perante os ucranianos do Poltava (4-0) e o sensacional triunfo do Nacional diante dos russos do Zenit (4-3) fizeram, esta quinta-feira, com que o futebol português voltasse a animar nas competições europeias. Aliás, já na terça-feira, o Sporting tinha tido uma prestação de qualidade, manchada, contudo, por um árbitro sem categoria (pelo menos...) e por uma lei absurda (gostei de ver Madaíl a defender a ideia de se acabar com esta doidice de castigar quem ousa festejar os golos sem camisola). Sem isso, estou seguro, os leões também teriam ganho e, para além de irem a Itália com outro ânimo (e com Vukcevic), contribuiram ainda mais para as contas nacionais no sempre exigente "ranking" da UEFA, o tal que, ano após ano, vai determinando quantos emblemas lusos merecem competir além-fronteiras.
Depois das, na minha opinião, evitáveis eliminações de Paços de Ferreira e Sporting de Braga - e ainda antes do campeão FC Porto entrar em acção -, Portugal precisa, de facto, de reforçar a sua posição. É que os números dizem-nos que não há muito espaço para continuar a somar desaires e eliminações. Se o rumo não mudar rapidamente, os clubes nacionais correm sérios riscos de continuar a cair na hierarquia internacional. E o futebol luso, com todos os seus problemas, não merece ser ultrapassado por países que, objectivamente, não possuem tanta qualidade como o nosso.
Na Luz, pese o fantasma do empate recente com o Marítimo, o Benfica confirmou o favoritismo que lhe era justamente atribuído. Ganhou, goleou, não sofreu golos e, se precisasse, acredito que ainda teria marcado mais. Mas, mesmo assim, o assunto está resolvido. Com 4 golos de vantagem, Jesus até se pode dar ao luxo de, na segunda mão, dar minutos à segunda unidade. Bem sei que o treinador das águias é pouco dado às mudanças, mas se não o fizer na Ucrânia... estará a cometer um grande erro. Sobrecarregar fisicamente as pedras principais; correr o risco de ver os habituais titulares receberem cartões e passar uma mensagem de pouca confiança a elementos como Moreira, Sidnei, Nuno Gomes, Keirisson ou mesmo Yebda não o ajudará...
Mas, esta quinta-feira, foi o Nacional quem mais brilhou entre as equipas lusas. Perante o cotado Zenit, os madeirenses fizeram um jogão. Venceram, pressionaram os russos durante largos minutos e, com um pouco de sorte, podiam ter conseguido um resultado ainda melhor. É que o 4-3, sendo agradável, é muito menos simpático, a nível das provas da UEFA, que um 1-0. Mas, perante esta amostra, há que acreditar que a qualificação deixou de ser uma miragem.
Individualmente faço questão de realçar o nome de João Aurélio. Depois de já ter marcado ao Sporting, o alentajano de 21 anos voltou a mostrar que é um elemento a ter em conta já esta época. O autogolo diante dos leões, que retirou à sua equipa a possibilidade de entrar a vencer na Liga Sagres, parece não o ter afectado. Bem pelo contrário. E quem revela esta estalece emocional, aliada às qualidades técnicas, parece ter um futuro risonho.
2 - Nem só de futebol vive o desporto. Enquanto, por cá, a maioria seguia as incidências futebolísticas, em Berlim, nos Mundiais de atletismo, um jamaicano supersónico fazia, depois do já esperado "show" nos 100 metros, uma exibição histórica nos 200. Não foi o triunfo que me surprendeu, nem sequer o novo recorde mundial (19.19 segundos). Impressionante foi ver a forma como "voou" pela pista, deixando a concorrência bem lá atrás. Acredito que com esta velocidade de ponta, Usain Bolt pode começar a sonhar com mais medalhas. E não estou a pensar nos 100, 200 ou 4x100 metros. Os 400 também não parecem ser dificuldade maior para este foguete das Caraíbas.
