Portugal em tons cinzentos

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Pouca sorte nos sorteios, infelicidade no decorrer dos jogos ou óbvia incapacidade futebolística. As justificações podem ser várias, mas a verdade é que a jornada europeia foi catastrófica para os sete emblemas lusos que, esta época, competem na UEFA. Um só empate (caseiro) e seis derrotas, aliado a uma tremenda dificuldade para marcar golos, ajudaram a pintar de cinzento os últimos dois dias.

É evidente que, sabendo que pela frente iriam surgir adversários como AC Mlan, Liverpool, Machester United, Bayern Munique ou Bayer Leverkusen, já se imaginava que os clubes portugueses sentissem enormes dores de cabeça para assumir o protagonismo desejado. Mas, convenhamos, os desfechos ficaram, efectivamente, muito aquém do esperado, embora também seja justo acrescentar que está praticamente tudo em aberto no que diz respeito ao futuro imediato na “Champions” e na UEFA.

Não deixa de ser curioso que estes resultados apareçam pouco depois de duas jornadas igualmente infelizes por parte da Selecção Nacional. Os tropeções caseiros com Polónia e Sérvia – onde o azar (ou falta de sorte) também fizeram questão de participar –, para além do triste episódio de Scolari, contribuíram igualmente para que, de repente, Portugal tenha perdido parte da sua boa imagem internacional, embora, paradoxalmente, até tenhamos assistido a um salto para o oitavo posto do “ranking” mundial.

Sendo a modalidade de eleição dos adeptos e aquela que, nos últimos anos, mais alegrias tem dado ao povo, causa alguma apreensão ver esta súbita quebra de produção (bem visível também ao nível das selecções mais jovens) do futebol, quando outros desportos, perante a surpresa de muitos e a admiração internacional, vão mostrando qualidade e resultados de nível elevado em provas de excelência.

Sempre nos habituámos a ver o desporto-rei como uma tábua de salvação para esconder a debilidade geral do desporto nacional. Agora, parece que é contrário. A questão, por si só, não seria totalmente negativa se, daqui para a frente, o País passasse a olhar para o resto das modalidades com a atenção devida mas, isso, duvido que aconteça. Infelizmente. É que por cá, até os maus resultados do futebol são vistos como algo mais importante que os sucessos do triatlo, atletismo, judo, basquetebol ou râguebi. E isto, atente-se, não é um mal apenas do cidadão comum ou da imprensa. O Estado, ignorando o cumprimento das suas obrigações ou assumindo-as com meses ou anos de atraso, talvez seja o principal culpado.

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