Portugal sem desculpa(s)
Sejamos claros: Portugal é favorito a passar aos oitavos-de-final da prova e este primeiro jogo com a Alemanha servirá para observar se, perante uma das equipas mais fortes do Mundial, a equipa portuguesa é capaz de um “golpe de asa”.
Nove pontos na primeira fase seria excepcional, sete pontos seria bom e seis pontos seria “apenas” normal.
Não há que minimizar as possibilidades da Selecção portuguesa. Tem histórico, presenças assíduas nas fases finais das grandes competições, uma estrutura e organização profissionais, condições de excelência para optimizar o rendimento desportivo, uma equipa consolidada e... Cristiano Ronaldo, “o melhor jogador do Mundo”.
A Selecção Nacional não tem um único handicap, em relação à esmagadora maioria das equipas europeias. Está entregue a si própria. Não há desculpas para aquilo que não fizer.
Todos percebemos que Cristiano Ronaldo não está nas suas melhores condições e ele ontem avisou que não fará perigar a saúde, porventura para acalmar os ânimos em Madrid. Depois de alguma relutância de jogadores mais velhos, alguns dos quais foram ficando pelo caminho, esta é a primeira grande competição em que se irá ver, em pleno, o grupo construído à volta do “comandante”. Uma liderança não contestada. Levou tempo para a Selecção Nacional ser esculpida por dentro em torno de Ronaldo. Seria uma lástima se, precisamente nesse ponto máximo de maturidade e de uma estrutura que criou essa dependência, o capitão não fosse capaz de corresponder, por limitações físicas.
Neste jogo com a Alemanha, em que vai ser necessário defender muito e bem, todos os jogadores têm um papel determinante. Cristiano não pode resolver tudo. A minha dúvida é se, perante um meio-campo da Alemanha fortíssimo e compacto, Portugal terá músculo e pernas para tamanho desafio. A ver vamos.
