Portugueses em alta

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No arranque da Primeira Liga salta à vista o facto de todas as 16 equipas da prova terem treinadores portugueses. E a tendência expande-se à Segunda Liga, onde o brasileiro Vinícius Eutrópio, do Estoril, é a única exceção. Esta curiosidade evidencia que a competência dos técnicos nacionais é cada vez mais reconhecida no mercado interno, numa fase em que o mesmo também está a acontecer fora de portas. O fenómeno José Mourinho, com duas vitórias internacionais pelo FC Porto e o êxito conhecido em clubes como o Chelsea, Inter de Milão e Real Madrid, terá sido a pedra de toque para esta apetência, orientada para a contratação de treinadores portugueses, que os nossos clubes adotaram na última década.

Mas nem sempre fora assim. Tomando como comparação, por exemplo, as duas épocas em que treinei o FC Porto, entre 1996 e 1998, nos bancos de suplentes das equipas portuguesas pontificavam técnicos estrangeiros como Robert Waseige (Sporting), Paulo Autuori (Benfica), Graeme Souness (Benfica), Zoran Filipovic (Boavista), Paco Fortes (Farense), Stoycho Mladenov (Belenenses), Fernando Castro Santos (Sp. Braga) ou Marinho Peres (Marítimo).

Nesse período, muitos duvidavam das capacidades dos treinadores portugueses em orientar equipas de maior calibre competitivo. Porém, o tempo acabou por dissipar todas as desconfianças. Treinadores como Fernando Santos, Augusto Inácio, Jaime Pacheco, José Mourinho, Jesualdo Ferreira, Jorge Jesus e André Villas-Boas souberam liderar equipas campeãs em Portugal. E, essencialmente, mostraram capacidade e qualidade. Além destes técnicos, os nomes de Manuel José, Nelo Vingada, José Peseiro, Manuel Cajuda, Paulo Bento e Domingos Paciência, entre outros, também contribuíram para o reconhecimento do trabalho do treinador português. E este é um “produto”, além dos jogadores, que está a revelar capacidade exportadora, atestada pelos mais de 50 técnicos nacionais que exercem a sua profissão no estrangeiro.

A procura internacional promete ser ainda maior. Com a ida para o Chelsea, André Villas-Boas tornou-se mesmo a mais cara transferência de um treinador de futebol. Por outro lado, Carlos Carvalhal (Besiktas), Jorge Costa (Cluj), José Couceiro (Lokomotiv) e Paulo Sérgio (Hearts) acabaram de assumir desafios além-fronteiras, sem esquecer os portugueses que continuam a ter êxito em mercados africanos, asiáticos e do Médio Oriente.

No nosso campeonato, a média de idades dos técnicos (41 anos) é a mais baixa das principais ligas europeias. Além disso, mais de metade dos treinadores da Primeira Liga ainda não completaram uma época inteira no escalão maior e alguns deles estão mesmo a estrear-se. Parece haver uma procura quase que desenfreada por um novo Mourinho ou Villas-Boas. Mas a estratégia dos clubes também tem interesses economicistas, já que os treinadores mais jovens, sedentos de provar o seu valor, aceitam contratos bem menos onerosos. Resta saber se, desportivamente, esta opção sairá, ou não, mais cara do que a aposta num técnico experiente.

Assistimos a uma mudança de paradigma. Antes privilegiava-se o conhecimento do futebol e o saber acumulado ao longo dos anos. Agora o modelo de treinador assenta na juventude, discurso irreverente e em metodologias inovadoras. Contudo, mais do que a idade, acredito que é a capacidade de fazer crescer os jogadores de uma equipa que distingue os grandes treinadores. Olhe-se para o Manchester United, onde Alex Ferguson, no alto dos seus 69 anos, parece mais jovial do que nunca.

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