Potência chamada Portugal

Adicione como fonte preferencial no Google

Os jogos particulares (ou amigáveis, numa versão mais romântica) valem apenas enquanto treinos mais “a sério” para as competições oficiais. Os resultados, é verdade, pouco importam. Mas, independentemente de algumas opiniões, é sempre melhor ganhar que empatar e a igualdade é um mal menor quando comparada com a derrota. Superar o Brasil (o que acontece pela segunda vez consecutiva, depois do sucesso, há quatro anos, no Porto, na estreia de Deco) é um dado animador para a formação comandada por Scolari. Aproximam-se dois embates decisivos na luta pela qualificação para o Europeu’08 e, depois do desastre na Polónia, a Selecção precisava levantar a cabeça.

Derrotar a maior potência futebolística do planeta só pode ser um tónico essencial para os compromissos que estão a caminho. Mesmo sabendo-se que os canarinhos tiveram uma prestação sofrível no último Mundial e que já não “assustam” a maioria dos adversários, a verdade é que continuam a produzir futebolistas de inquestionável valia a um ritmo alucinante, podendo dar-se ao luxo de, no mesmo dia, formar três ou quatro equipas capazes de colocar “em sentido” muita gente. Dessa forma, derrotar o Brasil continua a ser um feito. Para Portugal e para qualquer outra nação. E não é muito relevante saber se o duelo é particular ou oficial, pois não me parece que os brasileiros gostem de jogar “a feijões”. Ainda por cima quando do lado contrário estão muitos companheiros de equipa; um brasileiro que optou por representar outro país e um treinador que guiou o Brasil ao último título mundial. Podem ter a certeza que mesmo não estando em causa nenhum título, os sul-americanos foram até Londres para ganhar e não somente para passar tempo, confraternizar com os patrícios ou sentir um frio de rachar!

Já o disse e vou repetir: acredito que Portugal pode, num futuro a curto-médio prazo, vencer uma grande competição internacional no escalão sénior. Se muitos, estrangeiros e também portugueses, continuam a “torcer o nariz” a uma equipa que terminou em segundo o último Europeu e em quarto o Mundial da Alemanha, eu não hesito em colocar o nome do nosso País no lote dos potenciais favoritos aos dois próximos grandes certames (Euro’08 e Mundial’10). E não me incomodam nada os comentários sobre a falta de verdadeiros “homens golo”...

Hoje, Portugal já não tem Figo. Nem Rui Costa, Pauleta, Fernando Couto, Baía, João Vieira Pinto ou Paulo Sousa, atletas que marcaram a era do ressurgimento da Selecção ao mais alto nível. E qual é o problema? Nenhum! A transição está a ser feita serenamente. Como se viu em Londres, agora temos a equipa de Ronaldo e companhia, sendo que Quaresma, finalmente, ameaça também tornar-se figura de eleição. Scolari merece palavras de elogio pela forma como, gradualmente, tem feito a gestão do grupo e a introdução de gente nova. Ainda assim, continuo a pensar que as alterações podiam e deviam ter começado mais cedo. Ao Mundial da Alemanha ainda foram alguns jogadores que, comprovadamente, já não deviam lá ter estado. Um caso à parte: Maniche, desde que queira apenas e só jogar futebol, ainda pode ser muito útil à Selecção.

PS 1 – Vou ver se não perco as declarações de Milton Neves, conceituado jornalista no lado de lá do Atlântico, sobre o Portugal-Brasil. Será que tão ilustre personagem vai voltar a dizer que o “time de Portugal é ruim”, conforme afirmou no arranque do último Mundial? Tenho dúvidas. Muitas dúvidas, pois se insistir nessa avaliação, certamente que terá dificuldades em adjectivar a equipa que perdeu com o tal “time ruim”...

PS 2 – Folgo em saber que Derlei vai ser alvo de um processo sumaríssimo por ter dado uma cotovelada num jogador do Boavista. O agora benfiquista tem de perceber que o futebol não é nenhuma arte marcial! E tem de perceber também que, segundo as pessoas que julgam estes lances, errado é usar os cotovelos para acertar nos opositores. Pontapés, pisadelas e chapadas... tudo bem.

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade