Potencial para aproveitar

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Já o disse e volto a referir. O regresso das equipas B, ainda mais para atuarem na Segunda Liga, escalão mais forte do que jogavam anteriormente, foi uma das decisões mais acertadas que se tomou nas últimas décadas em Portugal. Os resultados estão à vista: as Seleções jovens estão a ter melhores resultados, a maior rodagem dos atletas proporciona-lhes outra maturidade competitiva e novos valores estão a despontar, muitos deles já a bater à porta da Seleção Nacional e com selo de futura venda milionária.

Talento não falta para lapidar. Costuma-se dizer que a necessidade aguça o engenho e, perante uma fase de maiores dificuldades económicas dos clubes portugueses, este reaproximar da formação veio confirmar que há matéria-prima de qualidade para trabalhar a curto e médio prazo. A possibilidade que tem sido dada aos jovens atletas portugueses, alguns deles ainda com idade de júnior, de poderem jogar semanalmente numa liga profissional, que apresenta grandes níveis de competitividade, favorece a sua rápida evolução e abre caminho a uma melhor integração destes jogadores nas equipas principais dos seus clubes.

É bom que se refira que o futuro do futebol nacional não passa apenas por colocar estes miúdos a jogar nas equipas B. Há que fazer o devido acompanhamento dos atletas, e os clubes devem dar-lhes desafios cada vez mais exigentes ao fim de 2/3 anos na formação secundária, abrir-lhes a porta a futebol de Primeira Liga para que possam evoluir ainda mais e mostrarem se têm a capacidade para voar mais alto. Para isso, são preciso minutos nas pernas, nos próprios clubes ou em empréstimos criteriosos que ajudem estes jogadores a crescer.

Portugal está a criar escola e não é por acaso que muitos responsáveis do futebol inglês, como o ex-internacional francês Patrick Vieira, treinador das camadas jovens do Manchester City, referem o caso das equipas B portuguesas como um modelo exemplar para o desenvolvimento de jovens talentos nos seus primeiros anos de seniores, pedindo uma solução do género em Inglaterra.

São boas notícias para o nosso futebol que começa assim a criar as bases daquela que será a Seleção portuguesa do futuro, num ciclo constante de lançamento de jovens com valor que poderão integrar um projeto de renovação sustentada da equipa de Fernando Santos. Nomes como João Mário, William Carvalho, Rafa Silva, Raphael Guerreiro e Bernardo Silva, entre outros, já começam a fazer parte das escolhas. E outros como Ilori, Paulo Oliveira, Rúben Neves, Sérgio Oliveira, Danilo Pereira, André Gomes, Ivan Cavaleiro ou Carlos Mané, em processo de afirmação nos seus clubes e potencial de crescimento, poderão vir também a fazer parte dos eleitos.

O Mundial sub-20 e o Europeu sub-21 revelaram o talento individual dos nossos jogadores e passaram a mensagem de que é preciso aproveitar todo este potencial. Os avançados Gonçalo Paciência e André Silva prometem ser soluções para a posição 9, que nos últimos anos não teve grandes valores a emergir. José Sá e André Moreira também dão boas sensações para o futuro da baliza nacional, tal como Riquicho e Rafa nas laterais, Tobias Figueiredo e João Nunes no centro da defesa, Podstawski e Guzzo no meio-campo, e ainda Tozé, Rony Lopes, Ivo Rodrigues e Nuno Santos no ataque. E muitos nomes ficam aqui por referir. Agora a questão não é de qualidade, é mesmo de oportunidade.

O craque - Em grande forma

Não é por acaso que já começam a dizer que é o melhor jogador do Europeu de sub-21. A qualidade de Bernardo Silva não engana. Foi peça chave no Monaco de Leonardo Jardim e é agora uma das principais estrelas da equipa comandada por Rui Jorge. Joga sempre com grande intensidade, seja a abrir espaços com a bola colada nos pés, na procura de espaços para servir os colegas ou a pressionar os adversários quando a sua equipa não tem a bola. Tem uma enorme qualidade técnica e merece todos os elogios de que tem sido alvo.

A jogada - Bom trabalho

Portugal conseguiu marcar presença entre as quatro melhores seleções do Europeu de sub-21. O feito, por si só, vale um bilhete para os próximos Jogos Olímpicos e permite sonhar. Além disso, a equipa mantém um ciclo de 13 jogos sem perder na prova, o que constitui um registo notável. Rui Jorge montou uma equipa talentosa, matreira, que sabe pautar os momentos do jogo e que pratica bom futebol. Estão todos de parabéns pelos resultados alcançados. E falta só mais um pouco para um título merecido.

A dúvida - O regresso do sorteio

Tudo indica que a Liga de Clubes se prepara para aprovar o sorteio dos árbitros para a próxima temporada. Depois da incoerência que se observou nas nomeações do Conselho de Arbitragem na época anterior, este acaba por ser o grito de revolta dos clubes, sobretudo dos mais pequenos, e a sua manifestação de desagrado com tudo o que se passou. A dúvida agora passa por saber se este sorteio proposto é livre ou condicionado. E se cada clube tivesse também, uma ou duas vezes por época, a possibilidade de solicitar árbitros estrangeiros?

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