Preparação atípica

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Cada treinador/seleccionador tem a sua forma de preparar, orientar e gerir as suas equipas. Scolari tem o seu modelo e, claro, há que respeitá-lo. E os resultados, acrescente-se, até jogam a seu favor... No entanto, isso não significa que tenhamos de concordar sempre com ele.

Findo os jogos de preparação antes do anúncio dos 23 futebolistas que representarão Portugal no Mundial, já se percebeu qual será a equipa que vai entrar em campo para o embate de estreia com Angola. É só olhar para o onze do passatempo com a Arábia Saudita e colocar Ricardo Carvalho no lugar de Meira. Não sei se será o conjunto mais forte que Portugal pode apresentar, mas aceito que é um dos mais habilitados.

Menos pacífico é compreender o resto. Scolari voltou a usar e abusar, tal como antes do Euro'2004, nos testes parcelares. De que vale dar 45 minutos a Quaresma, Hugo Viana ou outro jogador qualquer, se quando eles jogam... ao seu lado não há mais que 5 ou 6 previsíveis titulares. Testar a utilidade de um jogador é inseri-lo junto dos melhores e não colocá-lo apenas em minutos de menor fulgor. Por exemplo: se Quaresma estiver na Alemanha, quando entrar em campo, não acredito que Figo, Deco e Pauleta já tenham saído, a menos que estejam lesionados ou castigados... Da mesma forma que Quaresma nunca irá alinhar ao mesmo tempo que Hugo Viana ou Postiga. A menos que isso aconteça no terceiro jogo da fase de apuramento e com Portugal já qualificado!

As experiências em torno do modelo com dois pontas de lança também me causam apreensão. Antes do Europeu, Pauleta e Nuno Gomes só estiveram lado a lado escassos minutos. Depois, em competição, logo ao primeiro aperto (jogo inaugural com a Grécia), Scolari juntou-os. Que essa era a solução óbvia, estou de acordo, só não entendo porque não houve tempo para a "olear" nos jogos de preparação. Agora, sem perceber as razões (o benfiquista, por acaso, até é o melhor marcador da Liga...), repetiu-se a táctica.

E depois há a lógica dos jogos de preparação. A Arábia não tem nada a ver com o Irão. A única semelhança é que também pertence à Ásia. Para que serviu este jogo? Nada! Portugal ganhou como quis, jogando em ritmo de passeio.

PS: Se Scolari quer ver em acção Quaresma, não o faça em 45' num relvado que mais parecia um batatal. Veja-o todas as semanas na nossa Liga. As dúvidas rapidamente acabam...

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