Primeiras impressões
Cumprido um terço do campeonato, já se pode fazer um pequeno balanço. Com o alargamento para 18 equipas, a 1.ª Liga está mais nivelada por baixo. Rapidamente se fez a triagem das melhores equipas (o 9.º classificado já dista a 11 pontos do último), e sem os recursos dos conjuntos mais fortes, a maioria das equipas tem adotado estratégias conservadoras (com pouca produção ofensiva), o que resulta que só 25 por cento dos jogos termine com vitórias do clube visitante.
Ainda assim, há boas surpresas. A começar pelo V. Guimarães, formação construída com a prata da casa, que está a revelar bons talentos e vontade de lutar pelos lugares cimeiros. Com uma filosofia semelhante, a jovem equipa do Belenenses está também a surpreender, registando bons resultados dentro e fora de casa, podendo sonhar com um lugar europeu.
O campeão Benfica lidera sem o brilho do ano anterior, ressentindo-se de saídas importantes no defeso, mas mantém uma equipa competitiva que permite aspirar a ganhar as provas nacionais. Já o FC Porto está mais forte do que há um ano, com vários jogadores novos e um grupo jovem, atravessando um processo de crescimento que começa a ser visível, denotando-se maior consistência defensiva e ofensiva. E com o objetivo da Champions garantido, os dragões podem agora centrar-se no campeonato.
Quanto ao Sporting, que até está a produzir bom futebol, a perda de pontos por culpa própria para os rivais, na fase inicial da prova, pode ter sido comprometedora. Os leões terão agora de tentar encurtar distâncias para voltar a ter o título como meta. O FC Porto-Benfica da próxima semana poderá dar uma ajuda. E há ainda o Sp. Braga, que ganhou todos os jogos em casa (ao nível de Bayern e Juventus), precisando apenas de melhores registos como visitante para que as competições europeias sejam uma realidade.
Pela sua organização tática e desempenho aguerrido, equipas como Rio Ave, Paços de Ferreira e Moreirense merecem o devido destaque. Pelo contrário, Estoril (desgastado pelos jogos europeus) e Nacional têm estado abaixo das expectativas, mas a qualidade dos plantéis indicia que poderão recuperar. Já Boavista, Gil Vicente e Penafiel, por enquanto, não têm mostrado o andamento necessário para uma 1.ª Liga, e parecem precisar de mais soluções de qualidade.
Entre as maiores revelações deste campeonato, Talisca (médio-ofensivo oportuno e goleador), Brahimi (talento cheio de magia e imprevisibilidade), Cristian Tello (criador de desequilíbrios a alta rotação), Bernard (velocidade e habilidade a atacar) e Danilo Silva (médio com grande qualidade de marcação e passe) são os estreantes que mais têm dado nas vistas.
E justiça seja feita: jogadores como Gaitán, Salvio e Enzo Pérez (Benfica), Danilo, Jackson Martínez e Quaresma (FC Porto), William Carvalho, Adrien Silva e Nani (Sporting), Rafa Silva e Éder (Sp. Braga) e André André (V. Guimarães) são estrelas maiores da liga. Por seu lado, ainda se aguarda para ver mais de Cristante, Bebé, Adrián Lopez, Octávio, Tanaka, Slavchev, Ryan Gauld, atletas que ainda não conseguiram tempo e espaço para brilhar.
Com os duelos no topo e no fundo da tabela a prometerem intensificar-se nos próximos meses, cada tropeção poderá ser determinante para a classificação final. Benfica e FC Porto têm maior favoritismo, com Sporting e V. Guimarães a surgir, por enquanto como outsiders. Janeiro está à porta e há entradas e saídas que podem fazer a diferença. O talento individual será a chave para a decisão de muitas partidas.
Um "10" improvisado
Parece-me que Marco Silva acertou em cheio ao colocar Fredy Montero numa posição mais recuada no terreno. Apesar de ser um ponta-de-lança de qualidade e excelente finalizador, sabendo jogar sozinho na frente, esteve bem no apoio a Slimani, fazendo uso da sua qualidade técnica e de passe para abrir espaços e servir os companheiros, assumindo igualmente a missão de fazer golos. Os remates de meia distância e a leitura apurada do jogo fazem do colombiano uma referência dentro de campo. O n.º 10 que exibe nas costas assenta-lhe bem.
Mudança de filosofia
Tendo a redução de despesas e o aproveitamento de recursos da formação como linhas de orientação desportiva e financeira, o Benfica começa a preparar o futuro. E aqui encaixa a atual grande dúvida do universo encarnado: estará Jorge Jesus interessado em abraçar um projeto com este perfil? Esta renovação de contrato pressupõe uma filosofia diferente do que se passou nos últimos 6 anos. Além disso, o treinador nunca escondeu o sonho de treinar no estrangeiro. Seja qual for a decisão, parece certo que nada será como antes.
Sem espaço no Valencia
O percurso de João Pereira no Valencia parece ter chegado ao fim. Apesar de ser muito admirado pelos adeptos do clube, que lhe vão enviando mensagens de apoio durante os jogos em casa, o internacional português não está a ser utilizado por Nuno Espírito Santo e o técnico já afirmou que não conta com ele. João Pereira terá assim de dar um novo rumo à sua carreira, de modo a jogar com regularidade e poder regressar à Seleção. Irá a tempo de entrar nas contas de Fernando Santos?
