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08 janeiro 2015 - 01:37

Problemas de expressão

Não somos todos Charlie. Hoje gostávamos de ser, mas não somos...

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É das coisas mais difíceis de engolir. Todos temos os nossos ódios de estimação. Ou coisas que consideramos sagradas. E se o são, com elas não se brinca. Por isso é tão difícil defender a liberdade de expressão. Porque, às vezes, resvalamos para o censor que há em nós e consideramos que "aquilo" não podia ser dito. A forma como ainda hoje aceitamos como normais os blackouts impostos seja por quem for dizem muito. Nós que vivemos tantos anos de mordaça imposta e devíamos ter especial orgulho em dizer o que pensamos, depois de mais de uma geração ter lutado por isso.

Ontem, nas redes sociais, bloquei dois ou três energúmenos que sugeriam que o sucedido no "Charlie Hebdo" devia ser um aviso para as redações dos desportivos. Não por medo. Não por ser mais fácil. Simplesmente por nojo. Evito fazê-lo. Dou mesmo ouvidos a muitos que insultam, porque num dia sou vendido ao Sporting, noutros corrompido pelo Benfica ou ainda uma marioneta do FC Porto. Mas o desrespeito pela vida humana e a total insensibilidade por algo que devia ser um bem tão precioso, foi demais. Sim, também tenho problemas com a liberdade de expressão.

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Não somos todos Charlie. Hoje gostávamos de ser, mas não somos. Somos, muitos, não todos, contra assassinatos a sangue-frio. Somos, muitos, não todos, a favor da liberdade de expressão. Charlie são eles, os que morreram, com a coragem de defender em vida e com a vida os ideais em que acreditavam. E eles, como se fôssemos nós, deixam filhos, mulheres, pais, mães, amigos e a Paris que amavam. O ódio, a ignorância e a intolerância são dramáticos. Sei que é pouco, demasiado pouco, mas só me lembro de uma palavra para os que se foram cedo de mais. Obrigado. Por tudo.

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