Problemas que vos deixo

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Por estar ontem a caminho de Madrid para a habitual peregrinação ao Santiago Bernabéu, escrevi esta crónica há dois dias, na quinta-feira, pelo que corro o risco de perorar aqui sobre alguma coisa – ou tudo, seria o cúmulo! – que esteja hoje, sábado, já desatualizada. Ossos do ofício, quem anda à chuva molha-se ou azar dos Távoras. Como espera Fidel Castro da História, o leitor me absolverá.

O último dia de agosto ainda tarda, pelo que tudo se pode compor no plantel dos três principais candidatos ao título. O certo é que se verificam lacunas gritantes. Até no FC Porto, que foi o que mais investiu e melhor se reforçou – e isto de “reforços” tem que se lhe diga, não é uma mera troca de uns jogadores por outros –, existe uma falha clamorosa na frente de ataque, pois não se vislumbra quem faça de Jackson, num patamar um pouquinho mais abaixo que seja, quando o colombiano não puder jogar. A avaliar por Benzema, solitário ponta-de-lança do Real Madrid, a escassez de “matadores” parece não ser motivo para grandes preocupações. Enfim, veremos no que dá, mas desconfio que não vá correr bem.

Com problema semelhante se debate o Benfica, uma vez que a partida de Rodrigo e de Cardozo deixou Lima como única solução de área e mesmo assim pouco fixa na zona da verdade. Mas os encarnados têm mais com que se preocupar e as tonitruantes contratações de Júlio César e Samaras não escondem a ameaça da saída de Enzo ou de Gaitán ou dos dois – essa visão dos infernos – para nem sequer valorizar o possível mas improvável adeus de Luisão, o que deixaria a defesa da Luz, que já perdeu Garay, estanque como um passador.

Pior estará o Sporting, que encontrou uma forma altamente positiva – nova vitória de Bruno de Carvalho – de despachar Rojo mas ficou agora, quando também perdeu Dier, com o eixo da defesa para reconstruir, um velho pesadelo que regressa e uma dor de cabeça acrescida para Marco Silva, sabendo-se que sem segurança na retaguarda não se constroem grandes equipas. Contratempo idêntico têm os leões na dianteira, pois se chegou Nani – mais um extremo – fica por resolver a questão do ponta-de-lança. Insistir com Montero nessa posição é perder tempo e se Slimani se for embora, então, a missão golo tornar-se-á impossível. Ou estarei enganado?

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