Prospecção e formação
Os clubes portugueses, mesmo os chamados grandes, continuam "sem acesso" aos principais futebolistas mundiais. Por muito boa vontade que exista não há dinheiro que chegue para satisfazer os desejos de técnicos e adeptos. Mas, sejamos realistas, a situação não surpreende. O nosso País pode não ser muito pobre, mas está distante de ser rico. Não é uma potência mundial e o que não faltam por aí são questões mais importantes para tratar. O tempo de "vacas magras" no futebol é extensivo a todos os sectores da sociedade.
Aqui e ali, é verdade, pode aparecer uma extravagância - como o Benfica fez com o paraguaio Cardozo - mas não vejo maneira de a situação se alterar significativamente nos próximos tempos. Não se pode contratar quem vale vários milhões. Assim, é certo e sabido que nenhuma grande estrela do momento vai surgir a actuar na Liga.
Tendo noção da realidade, os emblemas lusos têm vindo a mudar a filosofia. Agora, são recorrentes os empréstimos junto de clubes internacionais com excesso de recursos; a compra de apenas uma percentagem dos passes ou a aquisição de atletas comprovadamente talentosos mas que buscam o relançamento da carreira.
Mas, independentemente da ginástica utilizada para conseguir atacar o mercado, os clubes portugueses - de topo e não só - já perceberam, de uma vez por todas, que o caminho a seguir é o da formação. Aproveitar os futebolistas "limados" nos escalões jovens é a forma correcta para construir equipas competitivas sem gastar fortunas. E é desta forma também que se podem fazer mais-valias consideráveis.
É pacífico dizer que o Sporting tem dominado o sector da formação em Portugal nos últimos anos, conseguindo "fabricar" valores inquestionáveis que, após aproveitamento (quase sempre breve tendo em conta a necessidade de dinheiro) no escalão sénior, são negociados para o estrangeiro.
Mas, se é justo realçar a forma como se trabalha em Alvalade e Alcochete, convém destacar que, hoje em dia, é mais difícil encontrar as pérolas do que trabalhá-las. A formação de qualidade precisa de estar aliada a uma prospecção atenta, célere na hora de recrutar e global. Não bastar fazer isso só em Portugal.
Não é por acaso que os grandes clubes nacionais começaram a contratar internacionais para os seus escalões jovens. Apanhar as "trutas", quanto antes, é a única solução. E se não puderem vir enquanto juvenis ou juniores, então que apareçam ainda com tremenda margem de progressão. Veja-se, por exemplo, o sucesso do FC Porto com a operação Anderson.
O problema de tudo isto é que os portugueses, ao invés do que sucedeu no passado, não inventam nada. Apenas estão a aplicar o que há muito se faz na Holanda e que recentemente ganhou adeptos em Espanha ou Inglaterra.
Procurar bons negócios com atletas presentes no Mundial Sub-20 do Canadá ainda é possível para as bolsas nacionais, mas a verdade é que muitas das estrelas, mesmo cedidas a outros emblemas, já têm contratos com os colossos. Conclusão: é preciso ser mais rápido. As grandes competições internacionais de Sub-16 são a montra onde urge caçar talentos. O risco aumenta, é certo, mas é aí que, hoje em dia, o ouro reluz...
