Protagonistas do momento

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Protagonistas do momento

Julen Lopetegui colocou a palavra “protagonistas” no léxico futebolístico nacional. Com o foco nos seus jogadores e naquilo que eles podem fazer dentro de campo, a mensagem é simples: é preciso mostrar o que se vale e dar tudo para ser superior ao adversário. São os futebolistas que nos levam a gostar deste desporto e é sobre jogadores em destaque, a merecer o rótulo de protagonistas, que versará esta crónica.

No Dragão, todos os caminhos vão dar a Rúben Neves. Literalmente. É impressionante a forma como este jovem de 17 anos, no meio de tantas estrelas, está a assumir-se como elemento precioso no meio-campo portista. Sem sentir o peso da camisola, pauta o jogo com elevada simplicidade e precisão (sejam os passes curtos ou longos), é responsável pela marcação das bolas paradas e ainda arranja tempo para rematar à baliza sempre que surge a oportunidade. Parece que joga nesta equipa há vários anos, o que revela a sua maturidade competitiva.

Pela coragem da aposta, o treinador espanhol dos dragões também merece o elogio. Não olhou para o BI do jogador, mas sim para a sua qualidade, e não teve problemas em lançar o miúdo. Se não fosse Lopetegui, Rúben Neves estaria ainda a atuar na equipa sub-19 do FC Porto e dificilmente a oportunidade na equipa principal teria chegado tão cedo. É estes exemplos que o futebol português precisa de replicar. Se o atleta tiver qualidade, a idade não importa e mais cedo poderá começar a evoluir.

Esta mudança de mentalidade traria sérios benefícios para o futebol português e às nossas seleções. A recente final do Campeonato Europeu de sub-19 foi paradigmática. Portugal defrontou uma equipa alemã muito mais experiente, apesar de os jogadores terem a mesma idade, uma vez que mais de 70% dos germânicos já atuavam com regularidade nas equipas principais dos seus clubes. Do lado português, apenas o guarda-redes André Moreira (um enorme talento, diga-se) era titular no Ribeirão, no terceiro escalão nacional… Uma realidade contrastante que balançou ainda mais a vantagem para os alemães.

Mudando de assunto, o protagonista desta semana é Nani. Sem margem para dúvidas. Uma contratação de peso para o Sporting (e para a Liga portuguesa, que este ano promete gerar uma maior atenção dentro e fora de portas, face aos nomes sonantes que chegaram ao nosso país), ainda mais sem encargos, que reforça o estatuto do Sporting na sua candidatura ao título e vem trazer uma parte da dose extra de qualidade e experiência de que a equipa leonina necessita.

Para o jogador português, ainda com 27 anos, esta é uma oportunidade de relançar a carreira e ganhar o ritmo competitivo que perdeu nas últimas épocas em Inglaterra. Em termos de carreira, pode parecer prematuro este seu regresso a Portugal, mas a montra da Liga dos Campeões e a titularidade no Sporting podem ser exatamente aquilo que o internacional luso precisa nesta fase, para reabilitar as suas qualidades e voltar a singrar. Quem sabe se, depois desta época, não lhe surgirá um novo desafio de topo?

No Benfica, e tal como se previa, começam a chegar nomes de qualidade inegável para compensar as saídas de jogadores importantes. Campeão europeu com José Mourinho no Inter Milão e titular pelo Brasil no último Mundial, o experiente guardião Júlio César dispensa apresentações. Com Artur em boa forma e agora com a chegada do seu compatriota, a baliza encarnada deixa de ser uma preocupação depois da partida inesperada de Oblak.

O CRAQUE

Regresso prometedor

O principal responsável pelo emperrar da máquina do Sporting em Coimbra foi Rui Pedro. O avançado formado no FC Porto, convertido agora em médio-ofensivo, fez uso da sua técnica acima da média e boa leitura de jogo para fazer a diferença no miolo, criando enormes dificuldades ao meio-campo leonino, o que acabou por resultar na expulsão de William Carvalho. Neste seu regresso a Portugal, Rui Pedro parece estar pronto para se assumir como a principal figura da Académica neste campeonato. Talento não lhe falta.

A JOGADA

Problema que não existe

Um alto nível de competitividade interna dos plantéis é a melhor coisa que um treinador pode desejar. Isso significa que o seu grupo está recheado de opções válidas para a equipa inicial e permitirá uma gestão adequada dos recursos para fazer frente aos vários desafios do calendário. É uma boa dor de cabeça para os treinadores e é sinal que não há titulares garantidos, o que só pode ser fonte de motivação para os jogadores. Já se fala das dificuldades em colocar todos os craques do FC Porto a jogar, mas este bom dilema será igual na Luz e em Alvalade. Fossem todos os problemas assim.

A DÚVIDA

Fundos perdidos?

Há muito que defendo que a atividade dos fundos de investimento devia ser alvo de maior regulação. A ua existência ajuda o futebol português, mas alguns negócios nem sempre se realizam do modo mais transparente. Com maior supervisão das autoridades do futebol, casos como o negócio Rojo nunca teriam acontecido. Aguarda-se agora uma longa batalha judicial entre o Sporting e a Doyen Sports, e a ver vamos se o rasgar dos contratos foi uma ideia genial ou um tiro no pé para os leões. Entretanto, outra questão se coloca: voltará algum fundo a colaborar com o Sporting no futuro?

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