Quando se fala de estatuto
O reconhecimento demora a ganhar-se mas pode perder-se de um instante para outro. Pepe adquiriu estatuto mundial pelo que jogou no FC Porto, na Seleção Nacional e no Real Madrid mas também porque sempre se revelou muito disciplinado, um jogador que sabia respeitar os adversários e promovia os valores que o futebol deve congregar à sua volta. Esta imagem - a que tinha construída até ontem - fez até com que muitos os que não o queriam ver com a camisola de Portugal vestida, o viessem a reconhecer como uma boa referência na equipa.
Pepe não é poupado por quem viu o Real Madrid-Getafe. Na "Marca" Amalio Moratalla escreve que "vai voltar a ser impossível admirar um jogador como Pepe" e a reconhecer no internacional português um "jogador de craveira mundial". Compreende-se o raciocínio. Não foi uma questão de perda de controlo por breves instantes, um ação irreflectida. Foram vários actos de um filme para esquecer. O perdão após o jogo não limpa as agressões. O defesa tem agora outro caminho pela frente no sentido de voltar a ganhar credibilidade.
Por falar em credibilidade, a que dá estatuto, não é com relatórios como os de Bruno Paixão como se pode falar menos de arbitragem como Jesualdo Ferreira pretende. Ou como o de Lucílio Baptista. Fica sempre alguma coisa por se dizer. Mesmo o que é claros aos olhos e ouvidos de todos, nem sempre aparece escrito com as palavras correspondentes. Assim é difícil ganhar reconhecimento.
