Quantos (Soares) Dias cabem num título?

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Quantos (Soares) Dias cabem num título?
Quantos (Soares) Dias cabem num título?

Estão reunidas grandes expectativas em redor do Benfica-Braga desta tarde, e o caso não é para menos. Considerando o rendimento desportivo do FC Porto, o único adversário do Benfica na corrida rumo ao título, cada vez mais sólido enquanto equipa, como se tem observado na Liga e na Champions, está a gerar-se a convicção de que, se os encarnados perdem pontos até à recepção dos "lopeteguis", o FC Porto tem equipa para anular a desvantagem e sagrar-se ainda campeão nacional.

Éesta convicção que está a gerar o nervosismo das últimas semanas, dias e das últimas horas. O futebol está cheio de dúvidas, sombras e suspeitas porque, na verdade, são poucos aqueles que contribuem para as erradicar. Todos querem fazer parte da "indústria" e ganharem, directamente, com ela. Como afirmei em público e não fazendo parte dos louvaminheiros do reino, não vi o Sp. Braga a facilitar a vida ao FC Porto. Já vi muita coisa, muitas entorses, muitas cedências, muita coisa mal explicada, desde arbitragens estranhas até comportamentos igualmente estranhos de jogadores, que procurei denunciar, mas a sensação colhida da observação deste Sp. Braga-FC Porto não teve a ver com favores ou estratégias menos limpas. Teve a ver com o crescimento qualitativo do FC Porto e da sua imposição no terreno de jogo. O Sp. Braga não conseguiu ser mais forte, simplesmente porque o FC Porto não o consentiu, com uma reacção excepcional à perda de bola, como Sérgio Conceição acentuou na "sanguínea" conferência de imprensa de ontem, durante a qual (apesar do perigo das generalizações) respondeu a quem tinha de responder, sem papas na língua.

As dinâmicas de comunicação alteraram-se muito nos últimos tempos, com o advento das redes sociais. Toda a gente publica e toda a gente, a coberto de anonimato e até com perfis falsos, publica o que lhe dá na real gana. É um fenómeno preocupante. E mais preocupante se torna quando são presidentes e/ou vice-presidentes de clubes a multiplicar o efeito demagógico e irresponsável de certas asserções. Dá que pensar este "talibanismo" dos dirigentes desportivos, extensões mais ou menos engravatadas de uma "lixeira electrónica" que a todos atinge. Eles não percebem que se metem no mesmo saco e são vítimas desses ignóbeis expedientes.

Os dirigentes que acham poder comportar-se como os adeptos, o melhor é voltarem à sua condição de adeptos.

No caso do Benfica, para além de achar que Gomes da Silva procura estabelecer uma ligação com as "bases" do clube da Luz, para granjear a popularidade necessária e útil num futuro compromisso eleitoral, todavia com poucas possibilidades de frutificar, não creio que esta postura mais "índia", de um fundamentalismo às vezes absurdo, possa contribuir, estrategicamente, para o sucesso desportivo da equipa, considerando em concreto o jogo desta tarde com o Sp. Braga.

Na semana do prélio com o conjunto minhoto, claramente uma das poucas equipas com possibilidades de tirar pontos ao campeão nacional nesta fase derradeira da Liga, Jorge Jesus e os jogadores dispensariam certamente este "suplemento de alma" incutido, por fora, à equipa de Sérgio Conceição. O Benfica raramente se deu bem, nestes últimos anos, sempre que decidiu aumentar a pressão do "jogo falado" com os seus adversários. Sempre que o fez em relação ao FC Porto, os resultados foram negativos e já se registaram perda de títulos também por causa dessa pressão suplementar.

Que o Sp. Braga vai ser esta tarde a representação simbólica do anti-Benfica, ou pelo menos daqueles que não gostariam de ver o Benfica sagrar-se bicampeão nacional, não haverá muitas dúvidas. Ser o Benfica, ou alguns dos seus dirigentes, a amplificar esse ruído e essa amplificação é que – na óptica do interesse dos "encarnados" – me parece pouco recomendável.

Vai ser um final de temporada muito aceso e daí, igualmente, a pressão que se faz sentir sobre as equipas de arbitragem. Não é por acaso. As equipas de arbitragem têm o poder de decidir jogos e campeonatos. Nesta semana europeia, vimos – até no Chelsea-PSG, com erros graves para ambos os lados – como é que más decisões dos árbitros podem condicionar tudo. Enquanto não se for ao âmago da questão, e isso passa por haver outras formas de detecção dos erros e reduzir o poder e a soberania de quatro "juízes" que às vezes não se acham em condições de "ajuizar" coisa nenhuma, manter-se-á este mecanismo de se querer ganhar os jogos através da exploração das vulnerabilidades associadas ao sector da arbitragem. É por isso que muitos perguntam… quantos (Soares) Dias cabem num título?…

NOTA – Começa a tornar-se evidente que Cristiano Ronaldo e o Real Madrid começam a preparar o divórcio. Aquela "festa de aniversário" ou foi a causa ou já foi a consequência.

JARDIM DAS ESTRELAS - ****

Mourinho e PSG

Mourinho não gosta de perder nem de ser criticado. Com tantas vitórias e títulos, e com o estatuto que por via disso alcançou, acha que deveria estar a salvo de críticas, nos momentos menos bons. A imprensa britânica não pensa assim e não foi de modas: muitos reparos ao Chelsea e à forma como Mourinho (não) conduziu a equipa, dentro e fora do campo, perante o PSG e Blanc, num jogo muito marcado por erros de arbitragem, desde logo a expulsão de Ibrahimovic à meia hora — um escândalo!

Foi um belo desafio, principalmente por força do comportamento da equipa parisiense, sempre mais forte em mentalidade. De vez em quando há uns jogos em que Mourinho perde o controlo sobre a equipa. Este foi um deles. Não é uma questão de optimismo ou pessimismo. A verdade é que Mourinho já não conquista a "Champions" há cinco épocas e isso também pesa nas apreciações, quando se está no topo da montanha.

O CACTO

Inconsciência

Vítor Pereira pode não ter medo de nada nem de ninguém. A coragem é algo saudável. Mas uma coisa é coragem; outra é irresponsabilidade. Não ter a noção do que se passa na Grécia e não perceber que o futebol é o palco ideal para a exteriorização das emoções e das frustrações é sinal, até, de uma certa inconsciência, ainda por cima repetida. Impõe-se urgente reflexão…

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