Que venha a Espanha
A Seleção fez com a Croácia, na primeira parte, a melhor exibição neste Mundial. Foi uma equipa equilibrada e sempre com um notável espírito de união e conquista. O jogo exterior melhorou pela forma como foi explorada a profundidade por Rafael Leão e Pedro Neto. Nuno Mendes subiu de produção e o jogo a três nas laterais foi importante para criar situações difíceis de controlar pela defesa croata.
A saída a três na primeira fase de construção (Rúben Dias, Vitinha e Veiga) deu maior segurança e Vitinha assumiu papel decisivo nas decisões da posse. A equipa sempre junta e com as linhas muito próximas tornou possível, no ataque posicional, a presença de mais unidades na área de finalização.
A posse de bola teve mais critério com menos passes perdidos, e a última linha de três muito subida equilibrou a equipa e foi capaz de controlar os momentos de perda da bola sem dar muitos chances à Croácia, pela pressão de mais jogadores em espaço ofensivo mais reduzido.
Na segunda parte entrámos mal, tudo o que foi possível fazer antes muito bem (equipa junta com linhas subidas e com mais fácil recuperação da bola numa posse orientada para a baliza) deu lugar a uma outra equipa mais dispersa e sem capacidade de controlar os espaços defensivos que foram aproveitados pelos croatas para chegarem ao golo e virarem o jogo do avesso.
O golo do empate não trouxe grandes alterações e as substituições não equilibraram a equipa. Em desespero, Roberto Martínez quis ganhar o jogo mas esteve muito próximo de o perder. A saída de Ronaldo e a entrada de Rúben Neves melhorou um pouco.
Sem Ronaldo, foi Gonçalo Ramos quem aproveitou os espaços e o golo brilhante que marcou foi prémio para um jogador pouco aproveitado no clube e na Seleção.
Uma palavra também para Diogo Costa, decisivo nos jogos com Colômbia e Croácia. O seu fantástico trabalho garantiu dois resultados favoráveis: o empate na fase de grupos e a vitória que nos deu os oitavos de final.
Que venha a Espanha... vai dar Portugal!
