Queiroz não arriscou
Portugal não conseguiu recuperar na Suécia os 3 pontos perdidos de forma inacreditável no jogo caseiro com a Dinamarca. Mas, do mal o menos, também não voltou a ser derrotado. Quer isto dizer que o nulo em Estocolmo, não tendo sido bom para as contas do apuramento... também não é mau ou, visto de outra forma, sem ser péssimo... ficou longe de ser o desejável.
Sejamos claros: Portugal podia ter ganho na Suécia! E independentemente do penálti que o senhor árbitro não viu (como é possível não ter visto um lance tão clarinho?), creio que só não venceu porque, de princípio a fim, esteve mais preocupado em não perder do que propriamente em ganhar.
Carlos Queiroz não arriscou. Optar por Hugo Almeida em detrimento de Nuno Gomes pareceu-me logo uma medida discutível, mas como o avançado do Werder Bremen é mais forte fisicamente... até consegui entender a ideia. Mais difícil é perceber o porquê do dianteiro do Benfica não ter sido chamado no decorrer da segunda parte ou ver que Danny demorou uma eternidade a saltar para o jogo. Até Quaresma, se calhar, podia ter entrado mais cedo. É que Nani, quanto a mim, não estava nada feliz.
E sendo verdade que a Suécia deixou de causar perigo nos segundos 45 minutos, com excepção aos lances aéreos e a um remate de Ibrahimovic, não me parece que o técnico corria muitos riscos se optasse por ser mais audaz. Mas não foi. E quanto a mim apenas e só porque teve receio de que acontecesse algo parecido com o jogo anterior. Se Queiroz tivesse apostado deliberadamente no ataque e a Suécia aproveitasse para ganhar os jogo num contra-ataque, para além de as contas do apuramento ficarem bem negras, os seus críticos não lhe perdoariam, acusando-o de ter deitado tudo a perder.
O problema é que, jogando de forma a garantir o empate - podendo vencer num lance de genialidade -, Queiroz escapou a umas críticas para, naturalmente, receber outras. Eu, como muitos portugueses seguramente, fiquei com a nítida sensação que não teria sido muito complicado trazer mais 2 pontinhos. Bastava forçar um pouco mais Aliás, depois de ver as declarações de Queiroz... creio que até ele pensa assim.
Bom, agora o que interessa é ganhar quarta-feira à Albânia. Se tal acontecer (também era melhor não ganhar a essa rapaziada...), creio que recuperaremos a confiança no segundo embate com a Suécia. Sem Ibrahimovic do lado contrário (devido ao amarelo parvo que viu em Estocolmo) e a actuar em casa, Portugal só terá de ser igual a si próprio para acabar com o fantasma da Dinamarca e ganhar o balanço necessário para "sprintar" até à África do Sul. Eu, ao contrário de muitos, acredito que vamos lá chegar! Ainda há muito caminho para percorrer mas, objectivamente, nada está perdido.
