Queiroz respira de alívio
Continuo sem saber se Portugal vai estar na África do Sul mas, agora, depois da Dinamarca ter dado uma lição de humildade aos arrogantes vizinhos suecos e de a nossa Selecção ter "despachado" (mais uma vez) a Hungria, estamos mais perto. Muito mais perto. Tendo em conta que derrotar os simpáticos malteses, em Guimarães, na quarta-feira, será uma mera formalidade... "só" falta passar o "playoff".
E, desta feita, não foram apenas os desfechos do agrupamento 1 a sorrirem a Portugal. Face ao que se passou nas restantes "poules", só um impensával tropeção da Ucrânia em Andorra poderá fazer com que a Selecção não seja cabeça-de-série no sorteio para o "playoff". Quer isso dizer que, com grande probabilidade, o derradeiro opositor na caminhada para a África do Sul será Eslovénia ou Eslováquia (Grupo 3), Bósnia (Grupo 5), Ucrânia (Grupo 6) ou Irlanda (Grupo 8). Será fácil? Não! Será impossível? Nem por sombras! E mal seria se uma equipa que tem talento de sobra e sonha com altos vôos na fase final tremesse por ter de medir forças com os adversários atrás referidos, todos de um nível aceitável, é certo, mas sem figurarem na verdadeira elite do futebol europeu e/ou mundial.
Se estava confiante após o sucesso em Budapeste, agora duvido mesmo muito que Portugal deixe escapar a oportunidade de marcar presença num evento em que, naturalmente, merece figurar por, salvo deslizes aqui e ali, ser uma das mais fortes selecções de actualidade, conforme atestam os resultados nos últimos grandes eventos (leia-se Europeus e Mundiais).
Perante o cenário do momento, Carlos Queiroz tem razões para respirar de alívio. O mau tempo parece estar a afastar-se. No entanto, continuo a pensar que há muito para melhorar. A Selecção Nacional tem de ser mais consistente e de conseguir, na maioria dos jogos, aliar o caudal ofensivo à eficiência. Sem retirar mérito aos adversários, nem pretendendo atribuir demasiada importância aos factores sorte ou azar, Portugal podia e devia já ter o assunto da qualificação resolvido. Pelo menos a derrota caseira com a Dinamarca e o empate, também em casa, com a Albânia, jamais deveriam ter sucedido...
Fui dos que acreditaram que a escolha de Queiroz era acertada, mas também alinhei no rol dos que, ao longo do trajecto, não concordaram com determinadas convocações, onzes, substituições, opções tácticas, etc, etc. Mas, chegados aqui, o objcetivo fulcral continua de pé: garantir a qualificação. E isso, como defendia Scolari, é o mais importante nas fases de qualificação. Por isso, ao contrário do que alguns defendem, não faz sentido equacionar destituir Queiroz se o treinador lograr cumprir a meta traçada. Em caso de eliminação, aí sim, há que avaliar tudo muito bem..., não limitando as opções ao facto de existir um contrato em vigor.
Regressando ao jogo com a Hungria, saliento alguns pontos:
- Simão voltou a ser determinante num local que bem conhece. Marcou e fez jogar.
- Pedro Mendes foi uma escolha acertadíssima para figurar como titular. A sua inclusão nos trabalhos da Selecção só peca por tardia. Merece fazer parte do grupo e, a jogar assim, talvez "obrigue" Pepe a recuar para central, o que poderá custar a titularidade a Bruno Alves.
- Liedson não é um atleta muito "em jogo" no sistema da Selecção, mas luta imenso e, mais importante, coloca a bola na baliza contrária. Serve...
- Compreendo o esfoço de Ronaldo em tentar ser útil num momento de aperto, mas parece-me que a sua chamada à equipa terá sido precipitada. Com Malta não deve fazer falta, mas se não recuperar a tempo do "playoff".... será uma péssima notícia.
