Quem governa o Benfica - Vieira ou... Gabriel?

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Quem governa o Benfica  -- Vieira ou... Gabriel?
Quem governa o Benfica -- Vieira ou... Gabriel?

O Sporting acaba o blackout para voltar ao regime de knockout. Por se tratar de futebol, vamos chamar-lhe… knockout na própria baliza. O Sporting esteve em blackout durante cerca de mês e meio. Deve ter sido um sofrimento. Para um clube que, na presidência de Bruno de Carvalho, se habituou a reagir a tudo o que mexe, no torrão pátrio, seja na Alexandre Herculano, na Constituição, na periferia da Fernão Magalhães, na Estrada da Luz ou mesmo nas imediações da Alameda das Linhas de Torres, através de comunicados, mensagens nas redes sociais ou através da televisão do clube, não deve ter sido fácil manter a ‘lei da rolha’. Um silêncio auto-imposto, recorde-se, em razão de uma tempestade interna, cujos contornos resultaram da má gestão de um conflito entre o presidente e o treinador, com uma intermediação inopinada, desajustada e desastrosa de um “catering dialéctico” de muito má qualidade, a partir do qual só faltou a entrada em campo da…ASAE.

Já todos percebemos que a natureza da intervenção de Bruno de Carvalho tem uma base, como dizer?, idiossincrática. O presidente do Sporting é um espírito inquieto. Chegou ao futebol em “estado puro”, não contaminado pelos miasmas do sistema, e isso tem um lado positivo. O futebol cristalizou-se debaixo de um conjunto de regras e vícios que são muito difíceis de desinstalar. O futebol tem um espectro maravilhoso que é a génese do próprio jogo, mas depois à sua volta, principalmente a partir do momento em que o ludismo deu lugar a uma indústria, são muito poucos aqueles que não querem lucrar com a ausência de mecanismos eficazes de regulação. Quanto menos escrutínio, melhor.

Acontece, porém, que Bruno de Carvalho, apesar das denúncias que tem feito; apesar do louvável esforço de levar algumas das suas ideias reformadoras aos areópagos internacionais, mede mal as consequências de alguns dos seus actos. Como este corte de relações institucionais com o Benfica. Não adianta nada. A eficácia dessa medida é nula. Não é que as claques e os adeptos do Benfica, no pavilhão da Luz e em Alvalade, nos dérbis, não lhe tenham dado motivos para uma reacção enérgica. O que aconteceu no futsal é intolerável e envergonha a postura de homens probos e civilizados como Borges Coutinho. O arremesso de artefactos pirotécnicos para a zona dos adeptos do Sporting é algo que deveria ter merecido uma reacção firme e sem reservas de Luís Filipe Vieira. Não estamos a falar de anjos (verdes) e de diabos (vermelhos). Infelizmente, todos têm telhados de vidro. Se se passar a vida a apresentar antecedentes e o repositório de factos passados, para se justificar silêncios e omissões, nunca, em tempo algum, sairemos da cepa torta. Bem sabemos que, nos órgãos sociais dos clubes, pululam muitos facciosos, que observam penáltis a meio-campo e que são capazes de ver uma melancia onde está uma maçã. Esses talibanismo e a vocação de explorar o lado emocional dos adeptos é criminoso. Os presidentes têm uma responsabilidade acrescida. E, no caso concreto do Benfica, Vieira não se pode esconder atrás de um director de comunicação que, por mais empreendedor que seja no sentido de eliminar fraquezas discursivas ou estabelecer parcerias com quem alimenta a propaganda, não deve relativizar a gravidade de actos criminosos como o arremesso de artefactos pirotécnicos para onde estão adversários mas também seres humanos. A vida e a segurança das pessoas não são folclore. Custa muito imaginar aos dirigentes e as estes directores, sempre colocados em redomas à prova de choque, o que sentiriam se, entre as vítimas, estivessem seus familiares? Também seria folclore?!

Sem sofismas: os lobos-dirigentes são perigosos mas mais perigosos são os dirigentes que, sendo lobos, vestem pele de cordeiros. Não há mais a esconder: a relação estabelecida entre dirigentes e claques está a dar cabo do futebol. Não há coragem de as travar. Não há coragem de as eliminar como braços armados das direcções dos clubes. Elas são, nalguns casos, um negócio e os dirigentes/presidentes alimentam esse negócio. Os clubes e a polícia sabem quem são os cabecilhas e os principais fautores de violência. Os clubes têm mecanismos para os denunciar e desactivar. Não o fazem, porquê? E os governos e as próprias polícias não são mais activos e eficazes, porquê?

AFPF e a Liga não podem ficar alheios a este estado de guerrilha permanente. A justiça desportiva tem de actuar. É preciso endurecer os castigos. É preciso torná-los verdadeiramente dissuasores. É preciso de ter a coragem de impor medidas difíceis de aceitar, mesmo quando estão em causa os grandes clubes do futebol português. É preciso interditar os estádios. É preciso banir os adeptos problemáticos. E o exemplo tem de vir de cima, sob pena de se perpetuar este regime de inimputabilidade.

Bruno de Carvalho não tem de se reger pela cartilha dos hipócritas e daqueles que pouco fizeram para que o futebol português se tornasse mais limpo e transparente. Mas precisa de conquistar uma dimensão presidencial que ainda não tem. A impulsividade revelada até agora tira-lhe discernimento para poder fazer leituras estratégicas. Tem de dar mais. Vieira é, hoje, um dirigente experiente que muito apreendeu com os erros. Não pode deixar que outros governem por si. Nem pode deixar que esta infantilidade dos convites e dos camarotes afectem a sua dimensão presidencial. O Benfica tem uma responsabilidade social que não pode ser substituída por aquilo que mais parece uma “brincadeira de garotos”. Vieira, neste aspecto, também tem de dar mais.

JARDIM DAS ESTRELAS - 4

Wenger e o FC Porto

Ouvimos Arséne Wenger falar do FC Porto e quase tudo faz sentido. Na verdade, para além da obsessão do controlo do futebol fora das quatro linhas, do taticismo beligerante, da coacção, da tentativa de imposição da razão através da força, o FC Porto projectou coisas muito boas: excelentes jogadores, grandes equipas, treinadores de indiscutível qualidade (como Pedroto, Artur Jorge, Robson, Mourinho, entre outros). É uma pena que, também por culpa própria, esse lado luminoso do FC Porto não seja habitualmente realçado.

O CACTO

CR30

É verdade que só se faz 30 anos uma vez na vida. Aniversários, enquanto cá andamos, fazemos todos os anos. A vida é para ser celebrada. Com todo o mérito pessoal, Cristiano Ronaldo vem fazendo a celebração da vida. Que ainda assim lhe oferece momentos menos desejáveis. Isso também é a vida. CR é o que é por causa do futebol. Por aquilo que lhe dá e por aquilo que recebe. Não lhe passava pela cabeça levar ‘quatro secos’ do Atlético, rival de Madrid, no dia do aniversário? Não passava pela cabeça de ninguém! A verdade é que aconteceu e o bom-senso aconselharia a cancelar a festa, pelo menos nos termos em que se realizou. A sua credibilidade como ‘futebolista exemplar’ ficou machucada. Um momento de divertimento e a necessidade de afastar as sombras de um momento menos feliz da sua vida pessoal não deveriam ser mais fortes do que a consciência profissional. Há muita gente (hipócrita e falsa) em redor de CR a dizer amén. Já se confessou arrependido? É um bom começo. Falta apresentar um pedido de desculpas aos adeptos do Real e aos seus fãs.

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