Quem quer ser campeão?

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É difícil encontrar jornadas, em toda a história do futebol nacional, em que Benfica, Sporting e FC Porto (sem estarem envolvidos em confrontos directos) não tenham conseguido vencer. Então se tivermos em conta o facto dos três grandes do futebol luso terem actuado diante dos seus adeptos, a situação torna-se ainda mais inusitada. E se acrescentarmos que nenhum dos emblemas conseguiu festejar um único golo, o caso afigura-se raríssimo. Tanto que, após este texto, vou investigar para tentar descobrir quando é que se verificou situação similar. Se é que aconteceu...

Sabendo dos deslizes de Sporting e FC Porto (sem esquecer o Leixões), o Benfica tinha excelente ocasião para dilatar a vantagem no comando da classificação e, ao mesmo tempo, fazer esquecer a desilusão provocada pelo afastamento precoce da Taça de Portugal e da Taça UEFA. No entanto, a exemplo do que sucedera no último embate caseiro na Liga, perante o Vitória de Setúbal (2-2), os encarnados voltaram a dar pontapés na sorte, deixando escapar 2 pontos que, por agora, é certo, não lhes retiram a liderança no Campeonato mas que, lá mais para a frente, podem vir a fazer muita, nomeadamente aquando das deslocações ao Dragão e a Alvalade.

Tal como é normal noutras paragens, também na Luz se ouviram, mal acabou o jogo, vozes a responsabilizar o árbitro Pedro Henriques pelo nulo. Em causa, um lance já em cima do final em que o juiz assinalou mão de Miguel Vítor na grande área do Nacional, segundos antes de Cardozo rematar para a rede. Já vi a jogada várias vezes e ainda não consigo perceber se a decisão foi (ou não) adequada. A confusão foi tanta que até passou quase despercebida a forma como o defesa benfiquista aparece no solo, num acto também susceptível de discussão.

Independentemente da decisão polémica de Pedro Henriques – que pode ter tido influência no resultado – é errado querer resumir hora e meia de futebol a um só lance. O Benfica não ganhou porque, a exemplo de tantas outras vezes, voltou a dar 45 minutos de avanço na Luz. Um cabeceamento de Yebda (longe da forma do início de época) foi o pecúlio ofensivo dos encarnados na etapa inicial. Só depois de ver o Nacional “cheirar” o golo em 4-5 lances no recomeço é que as águias “despertaram”. Contudo, mesmo quando foi visível a atitude necessária, a equipa esteve sistematicamente órfã de um pensador, um construtor. E isso com Aimar estranhamente sentado no banco. Se o argentino estava em condições de ser convocado, porque razão Quique não o lançou?

O terceiro jogo consecutivo do Benfica sem marcar golos (e num deles, em Matosinhos, a partida teve 120 minutos) ajudou a confirmar também outra ideia: Cardozo rende o suficiente para ser titular. É verdade que, no tal lance polémico, acabou por colocar a bola na baliza, mas é por agora pacífico que o paraguaio está a léguas do que já mostrou. E para fazer dupla com Suazo não é, decididamente, a melhor opção.

As boas notícias para os encarnados é que, mesmo com tantos tropeções, a equipa segue isolada no comando. E isso, indiscutivelmente, é positivo. De resto, este atípico Campeonato - em que ninguém parece capaz de saltar para a liderança quando a ocasião surge – faz lembrar o de 2004/05, quando o Benfica desbaratou 37 pontos e mesmo assim festejou o título, pois FC Porto (40) e Sporting (41) ainda cederam mais. Apetece mesmo perguntar: quem quer ser campeão?

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