Questões centrais
As duplas de centrais são traves decisivas na qualidade das equipas. Não há memória de nenhum verdadeiro campeão sem dispor de dois centrais de grande qualidade. No futebol dos últimos 20 anos, passou a ser essencial aos dois centrais uma valência que antes podia estar desenvolvida em apenas um dos membros da parelha: qualidade de passe a média e longa distância.
A velocidade de jogo e a capacidade de pressão sobre as defesas leva os centrais a terem de assumir-se como os primeiros pivôs dos lançamentos de ataque. Já não é possível a uma equipa que ambicione o topo, mesmo no plano nacional, ter um central bom a sair com a bola e outro apenas duro e sem técnica de passe. Caso haja um central pouco dotado tecnicamente no passe, o adversário pode montar uma estratégia que deixe livre o central menos apto, de forma a que a percentagem de bolas recuperadas possa subir no meio-campo de ataque.
Dito isto, a pergunta: quem está melhor servido de centrais, entre os três grandes de Portugal? Em rigor, nem FC Porto, nem Benfica, nem Sporting estão bem servidos, como já estiveram no passado recente. É no Dragão que mora a dupla de centrais mais aptos tecnicamente. Ainda assim, Martins Indi e Maicon arriscam demasiado. Principalmente o holandês, que, muito confiante, tenta passes verticais de 30 metros – autênticas piruetas num arame e sem rede – com elevado risco de contragolpe.
A falta de classe dos centrais do Sporting ficou totalmente patente no lance que ofereceu o empate ao Maribor e tirou meio milhão de euros dos cofres de Alvalade. Estes dois centrais não têm nível para a Liga dos Campeões, nem para sustentar a ambição de conquistar o título nacional. Também na Luz mora um central esforçado, rijo, atlético, mas sem classe para enfrentar com sucesso os desafios mais intensos. Jardel é o ponto fraco do atual Benfica. Jesus vai ter de descobrir uma alternativa.
