Quique não aprende

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O Benfica perdeu pela segunda vez na Liga. E tendo em conta que o FC Porto tem o mesmo número de desaires e o Sporting... o dobro, acaba por parecer estranho que as águias apresentem menos 4 pontos que os dragões e tantos quanto os leões na pauta classificativa. Como é que isso é possível? Devido ao elevado número de empates dos encarnados!

Muitos apelidam o Leixões de 'rei das igualdades', mas a verdade é que o Benfica também soma 7 partidas em que não perdeu, mas também não ganhou. E pelo que se viu em Alvalade, creio que Quique Flores tinha montado a equipa de modo a isolar-se na liderança do campeonato das igualdades. É evidente que o treinador benfiquista queria ganhar, mas tal como no Dragão, o esquema apontava mais para não perder do que para vencer, o que não impede, por vezes, a conquista do 3 pontos em causa.

A primeira parte do dérbi de Alvalade foi equilibrada e sem grandes motivos de interesse. O Sporting adiantou-se sem fazer muito para isso e o Benfica libertou-se a partir do momento do golo de Liedson. O empate aceitava-se, embora seja justo recordar que no único erro evidente de Olegário ficou por assinalar um penálti por braço de Maxi Pereira (a queda de Aimar na área leonina, ainda com 0-0, não me pareceu suficiente para justificar a marcação da falta).

Os segundos 45 minutos são fáceis de explicar: só jogou uma equipa, o Sporting. O Benfica, para além dos erros defensivos (David Luiz esteve muito mal, cometendo vários e graves deslizes), esqueceu-se de atacar. E Quique, impávido e sereno, demorou a perceber que o seu esquema ofensivo preferido - com Aimar e Suazo - só pode funcionar quando a equipa está em vantagem e actua em contra-ataque. Quando é preciso assumir o jogo... o caso muda de figura. E isso não se viu só agora, basta recordar as exibições encarnadas em casa, com excepção do desafio... com o Sporting!

O técnico espanhol é pago para tomar decisões e, tal como todos os treinadores, age em conformidade com aquilo que pensa ser o melhor para a sua equipa mas, pelos vistos, é incapaz de admitir que Aimar e Suazo formam uma dupla com pouca química. O argentino, que chegou à Luz para ser o sucessor de Rui Costa, continua a desempenhar um papel difícil de entender. Nem é o 'playmaker' que serve de apoio aos alas nem aos verdadeiros homens de área, nem é o segundo ponta de lança que o treinador quer que ele seja. Por outras palavras, tem uma função que não se entende, embora seja óbvio que, com tanta classe individual, de vez a vez lá arranca lances fantásticos.

E quanto a Suazo, outro futebolista a quem se lhe reconhece qualidade acima da média, também parece claro que precisa de gente ao lado. Não sei se é Cardozo, Nuno Gomes ou Mantorras. O que me parece é que não é Aimar... 

Sozinho entre os defesas contrários, contra o Sporting ou um qualquer emblema de fraca cotação, o hondurenho tem dificuldades em brilhar. E quando a sua condição física - por causa das lesões ou das constantes idas à selecção - também não ajuda... o resultado não é famoso.

Mas, mais do que insistir em dar a titularidade sistematicamente a Aimar e Suazo, independentemente do rendimento destes, Quique parece proibido de misturar qualquer um desses elementos com Cardozo ou Nuno Gomes. Salvo uma ou outra situação, o espanhol opta por não misturar as duplas. Ele lá saberá porquê...

Deixando o Benfica de lado, registe-se que o Sporting ganhou com total justiça. Fez uma segunda parte em cheio, continua a ter um Liedson que resolve e parece estar muito bem embalado para mais dois jogos que se avizinham complicados: Bayern Munique (Liga dos Campeões) e FC Porto (Campeonato). Para já, os testes no Restelo e com o Benfica foram ultrapassados com nota bem positiva, nomeadamente porque a equipa teve arte e engenho para reagir após os golos dos opositores. E isso, claro, só é possível em conjuntos que, com mais ou menos talento, possuem forte personalidade. E para que pensava que a equipa tinha 'morrido' na derrota caseira com o Sp. Braga, a resposta tem sido excelente.

Com o actual cenário na classificação - desconhecendo se o Leixões se junta à vice-liderança na segunda-feira - já dá para perceber que muito do futuro da Liga se decidirá na próxima ronda. O Benfica só poderá continuar a sonhar com o título se bater, em casa, o Leixões; o Sporting dificilmente se manterá na corrida se perder no Dragão e o FC Porto, previsivelmente, só deixará hipóteses aos rivais se não ganhar. Caso haja empate no clássico (e se as águias ganharem)... talvez tenhamos emoção até às derradeiras rondas.

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