Quique viu outro filme

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Não sei ao certo quantas vezes critiquei as opções tácticas de Quique Flores. Foram muitas. Tantas que, um destes dias, dei comigo a pensar em deixar o homem em paz. Os resultados é que mandam e, se calhar, só os meus olhos é que viam a equipa, salvo raros momentos, a praticar um futebol paupérrimo, sem fio de jogo, sem dinâmica. Afinal, o Benfica estava em segundo no Campeonato - com a liderança a escassos 2 pontos -, garantira a presença na final da Taça da Liga e só fora eliminado da Taça de Portugal nos penáltis. Apenas na Europa é que as coisas tinham corrido mal. E mesmo aí convinha salientar a eliminatória bem conseguida com o Nápoles e o facto de, na fase de grupos, os adversários não serem tão acessíveis como se chegou a dizer.

E como Quique tem sido sempre elegante nas suas atitudes e declarações (não é habitual, por exemplo, ver o treinador de um dos grandes a elogiar o trabalho de um rival quando a maioria dos próprios adeptos fazia o contrário), estava apostado em escolher outros temas. O homem merecia um descanso...

Mas, tal como sucede com quase todos nós em relação ao desejo de ganhar o Euromilhões, fiquei pelas intenções. E eis que aqui estou, pela enésima vez, disposto a escrever sobre Quique Flores. Mas, ao invés do que se poderia pensar, não foi a derrota com o Vitória de Guimarães que levou a este volte-face. A análise do espanhol, no final de encontro, é que me deixou de boca aberta.

O senhor disse, não uma vez mas várias, que o Benfica fez uma boa primeira parte. Em seu entender a essa prestação de qualidade só terão faltado os golos. Eu, depois de ver os resumos em mais que um canal televisivo, acrescentaria que os golos até poderiam ter aparecido caso a equipa tivesse criado oportunidades. Só que eu não as vi. Nem eu, nem provavelmente ninguém.

A primeira derrota caseira na Liga não abalou só jogadores e adeptos. O técnico, decididamente, perdeu-se em quase tudo o que disse após os 90 minutos. Considerou, por exemplo, ser um milagre a equipa estar a apenas 2 pontos do FC Porto e que os assobios aquando da troca de Cardozo por Nuno Gomes não eram para ele.

Como é que um treinador fala na possibilidade da sua equipa ainda chegar ao título, ao mesmo tempo que considera ser milagre ter apenas 2 pontos de atraso? Como é que um treinador, num jogo em casa e com o resultado 0-0 na segunda parte, pretende forçar o ataque e em vez de apostar num sistema com dois verdadeiros avançados opta por fazer uma troca directa, retirando da partida o melhor marcador do conjunto?

Em suma: Quique tem as suas ideias e não parece disposto a mudá-las, recusando-se a ver o que está à vista de todos. Até agora, o mau futebol da equipa era atenuado com os resultados. O problema é que os "acidentes" - como lhes chamou no sábado - estão a surgir com maior regularidade. E na classificação, as águias já estão em terceiro. Fora do acesso à Liga dos Campeões.

PS - O facto do golo do Vitória poder ter sido obtido em posição irregular não é suficiente para ilibar Quique: o Benfica jogou mal (mais uma vez) e o técnico voltou a cometer uma série de erros. Mais que o árbitro...

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