Real tem de ser o de Munique
Chegou o dia em que se esclarecerá a última incógnita da época a nível de clubes: primeira Liga dos Campeões para o Atlético ou a sonhada décima para o Real?
Até ao minitreino de ontem, na Luz, a comunicação social espanhola deixou de poder seguir os passos dos lesionados ou condicionados merengues e tem-se limitado a divulgar as “recuperações” que lhe convém: além de Cristiano, também Benzema e talvez Pepe. A esta guerra psicológica das “boas notícias” responderam os colchoneros com a alta médica relâmpago de Diego Costa – como se a microrrotura, a ter existido, se curasse por magia – e até com a possibilidade de Arda Turan fazer infiltrações para jogar. A mistificação é tanta que um jornal português até considerou Cristiano Ronaldo “em boa forma” por tê-lo visto a entrar rapidamente no Hotel Tivoli...
Todas as suposições morrerão no momento em que forem anunciadas as equipas, embora a verdadeira questão só se resolva com o decorrer da partida: quem chegará ao fim? E face ao adiantado da época, à sobrecarga física, às especulações e às prováveis ausências torna-se também mais difícil apontar um favorito.
Pelas derradeiras exibições, o Atlético parece mais perto do êxito, até porque tendo perdido Diego e Arda a meio da primeira parte do confronto decisivo de Camp Nou, a equipa manteve a concentração, a solidez e a determinação que levaram ao golo salvador de Godín e permitiram depois gerir a situação – e manter Messi, Iniesta e companhia ao nível das sombras a que Tata Martino os fez descer. A dúvida que se levanta é se não terá consumido esse esforço, e a descompressão que se seguiu, o resto da energia e do poder de fogo do carro de combate do Calderón.
Aconteceu algo de semelhante ao Real, que num embate épico destroçou o Bayern para ficar de seguida à beira do colapso, com atuações penosas, jogadores de rastos – Pepe, Cristiano, Benzema, Bale, Modric, Di María... – e a Liga a fugir de forma inacreditável. E só o Real de Munique poderá vencer hoje a décima. O que sobra dele não chegará.)
Nota – Na última crónica, escrevi que Julen Lopetegui é catalão quando de facto é basco. A associação ao passado barcelonista do novo técnico portista foi-me fatal. As minhas desculpas.
