Reforços ou talvez não
Quando o mercado de Inverno fechou, o Benfica parecia mais forte. A aquisição de vários futebolistas, a juntar à permanência de todas as figuras de proa (com Simão em destaque), indiciava que os encarnados iriam atacar a segunda fase da temporada com legítimas aspirações. Porém, quando se avizinham os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, a formação da Luz dá a ideia de estar em queda: física e psicologicamente. Hoje, em Guimarães, voltou a não mostrar a desenvoltura necessária para "agarrar" um jogo determinante. E, como de costume, "naufragou" quando o relvado se apresenta molhado...
Tal como em Leiria ou diante do Sporting, faltou eficiência no ataque, concentração à defesa, força aos homens do meio-campo e segurança na baliza. Como se isso não bastasse, no banco, Koeman voltou a não ser capaz de ajudar. Assim, as águias perderam (terceira vez nos últimos quatro jogos no campeonato, sendo que pelo meio empataram em 120' caseiros com o Nacional, para a Taça de Portugal) e ficaram numa situação deveras complicada para poder sonhar com a revalidação do título.
Quer isto dizer que, afinal, os reforços não contribuiram para que a equipa melhorasse o seu rendimento. A defesa, que tão boa conta de si estava a dar antes da entrada de Moretto, é agora facilmente ultrapassada, razão pela qual é cada vez mais pertinente questionar a saída imeditada de Quim. A rotatividade entre os centrais também não funciona. Esta tarde, depois de Luisão ter falhado com leões e leirienses, foi a vez de Ricardo Rocha "estar" nos golos vimaranenses. E até Nélson, que rapidamente conquistou fama de encarnado vestido, surge agora sem fazer a diferença, provavelmente a "pagar" pelas estranhas adaptações de que foi alvo.
No meio-campo falta chama a Petit, confiança a Manuel Fernandes e minutos a Karagounis. A Beto, já se sabe, só lhe falta técnica, como Koeman admitiu num treino. No entanto, não deixa de ser curioso que o esforçado brasileiro tenha ficado de fora num jogo que se adivinhava de combate. Para estes, com chuva, luta e pontapé para a frente, é que se entende a colacação de um atleta com estas características...
Na frente, os eclipses de Simão são agora quase tão constantes quanto as lesões de Miccoli; o recuo táctico de Nuno Gomes retira o melhor marcador do campeonato da área; Marcel só acerta quando está fora-de-jogo; Manduca e Marco Ferreira tentam mas não conseguem e Mantorras "desapareceu" após a CAN. E Geovanni, que dava sinais de franca inspiração, está fora de combate.
Koeman tem três dias para recuperar animicamente a equipa e, já agora, para demonstrar que sabe lidar com o aumento de opções no plantel.
