Regularidade e pragmatismo

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Regularidade e pragmatismo
Regularidade e pragmatismo

Sem ser decisivo, fevereiro poderá ser um mês esclarecedor em relação à luta pelo título. Com o fecho do mercado, as equipas têm agora tranquilidade necessária para melhorar e nada como um Benfica-Sporting para apurar quem, neste momento, tem mais estofo de campeão. E o FC Porto ainda tem uma palavra a dizer nesta questão.

Olhando para as movimentações do mercado de inverno, a atuação dos três grandes pautou-se pela contenção financeira. O Benfica, depois do esforço em manter o plantel da época passada, viu-se forçado a realizar vendas, imediatas e a médio prazo, tendo perdido um dos jogadores mais valiosos: Matic. Como fizera noutras ocasiões, Jorge Jesus irá encontrar uma nova solução dentro do plantel, sendo Fejsa e Ruben Amorim as opções testadas.

Sem jogar o futebol vistoso de outras alturas, a verdade é que este Benfica já leva 16 jogos consecutivos sem conhecer a derrota, o que ajuda a ganhar confiança. E agora que o calendário vai apertar, com os jogos da Liga Europa, diminuindo a margem de erro, o dérbi com os leões pode fazer toda a diferença, em caso de vitória das águias.

Já o Sporting aproveitou para colocar jogadores excedentários, poupando milhões em salários, e conseguiu, sem gastar muito, colmatar duas lacunas no plantel com Heldon e Shikabala. Os leões passam a ter mais opções ofensivas, que poderão ajudar a equipa a reencontrar a força finalizadora que evidenciava no início da época.

Tal como aconteceu no jogo da Taça de Portugal, o Benfica-Sporting tem tudo para ser um jogo aberto e de grande espetacularidade. Os leões apresentam uma sequência de 11 jogos também sem perder e vão querer dar tudo para vencer na Luz e alcançar a liderança isolada. Por outro lado, trata-se igualmente de uma oportunidade para o Sporting finalmente conseguir vencer um dos eternos rivais, façanha que ainda não alcançou esta época.

No FC Porto saíram Lucho, Otamendi, Izmailov e Bolat, entrando apenas Ricardo Quaresma. Se na defesa e no ataque parece haver soluções para dar resposta às necessidades da equipa, a grande dúvida passa por saber como se comportará, nesta segunda volta, o meio-campo dos dragões sem o seu capitão. Urge definir uma base coesa, consolidar processos e dar personalidade a uma equipa com grandes valores individuais, nem sempre com força coletiva.

Com a equipa portista envolvida em várias frentes, mais do que jogar bem com regularidade, nesta altura, ao FC Porto (e também a Benfica e Sporting) apenas interessa ganhar dinâmica de vitória. E o FC Porto ainda vai a tempo de o conseguir. Um ciclo positivo nos próximos jogos poderá ser a alavanca ideal para um final de época positivo.

Num campeonato em que nenhuma das três melhores equipas apresenta um futebol de nível europeu, não se pode exigir grande nota artística. Apenas regularidade e pragmatismo. Será certamente a equipa mais guerreira, coesa e objetiva aquela que sairá vencedora. No fundo, apresentando atitude, determinação e estofo de campeão.

Nota: Gostaria de destacar a boa forma do Nacional. O atual 4.º lugar e o facto de não perder na Liga há nove jogos (onde se incluem partidas no Dragão e em Alvalade) não surgem por acaso, estando a equipa de Manuel Machado a surpreender pela positiva, sobretudo pela sua organização defensiva e afirmação de bons valores. Jogadores como Zainadine, Mexer (que esteve com um pé no Rennes), Miguel Rodrigues e Ali Ghazal têm condições para jogar a um nível mais alto no futuro.

O CRAQUE

A hora de Heldon

A transferência de Heldon para o Sporting foi uma das novidades no fecho do mercado. O internacional cabo-verdiano era um dos jogadores mais importantes do Marítimo, por força da capacidade de finalização, mas também pela profundidade que dava ao jogo da equipa, fazendo uso da velocidade para criar lances de perigo e assistências para os colegas da frente. Os nove golos na Liga fazem dele o extremo mais concretizador do campeonato, o que diz muito do que pode trazer ao Sporting, clube que poderá potenciar as suas características. Resta saber como se adaptará a um clube de maior dimensão.

A JOGADA

Bela atitude do Penafiel

Deixo aqui um merecido elogio a um clube que me diz muito: o Penafiel. Praticando um futebol de qualidade, com um plantel praticamente composto por portugueses (alguns provenientes da formação, como o promissor extremo Aldair), o clube lidera neste momento a exigente 2.ª Liga e, depois de uma vitória e um empate com o Marítimo em pleno Funchal, conseguiu dar boa réplica a FC Porto, Sporting e Benfica nos compromissos para as taças, procurando o golo e não se limitando a “encostar o autocarro”. O treinador Miguel Leal está de parabéns.

A DÚVIDA

Sacudir a água do capote

Muita tinta ainda vai correr a propósito do caso do atraso na Taça da Liga. As decisões ficam para mais tarde, mas para já fica uma primeira conclusão: a Liga de Clubes aproveitou para sacudir a água do capote. Atirar culpas apenas para o FC Porto é uma boa forma de disfarçar a incompetência de um organismo que, volto a referir, tinha todas as condições de fazer com que os jogos se iniciassem ao mesmo tempo. Faz algum sentido que a Liga de Clubes, tendo meios para evitar certos problemas (não só neste caso), permita que os mesmos aconteçam?

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