Renascer de um Bebé

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Renascer de um Bebé
Renascer de um Bebé

Em 2010, o desconhecido Tiago Correia, na altura com 20 anos, deixou o futebol amador português para assinar pelo colosso mundial que é o Manchester United, tendo feito uma pequena escala (a pré-época) em Guimarães (sem realizar qualquer partida oficial).

De imediato, os eufóricos ingleses compararam-no a Cristiano Ronaldo, dadas as semelhanças físicas e técnicas, acreditando estar na presença um novo prodígio. Porém, o jogador não se conseguiu impor e acabou por ser emprestado nas épocas seguintes. Bebé não será um candidato à Bola de Ouro, mas pelo que temos visto dele, tem talento para se tornar um nome importante no futebol português.

Afalta de “escola” durante a formação, com passagem por clubes amadores de Lisboa, assim como a inexperiência em competições profissionais, limitaram muito a afirmação de Bebé em Manchester. Hoje podemos dizer que foi um salto grande demais, uma espécie de sonho perfeito que se eclipsou precisamente no momento de acordar.

Depois de um empréstimo falhado na Turquia, Bebé sabia que, para revitalizar a carreira, tinha essencialmente de jogar e ganhar experiência em alta competição. Regressar a Portugal foi a melhor opção. Depois de contribuir para a excelente campanha do Rio Ave no ano anterior, o jogador é atualmente a principal referência de um Paços de Ferreira em grande recuperação, após um início de época desastroso.

Bebé reúne uma série de características que, por norma, distinguem os grandes talentos dos outros jogadores, sobretudo se estivermos a falar de avançados. Tem pujança, rapidez, técnica, habilidade, remate forte e bom jogo de cabeça. Tal como CR7, pode alinhar como extremo ou avançado-centro e tem sido nesta última posição que a sua veia goleadora, com alguns tentos de belo efeito, começou a sobressair na capital do móvel.

Aos 23 anos, ainda vai claramente a tempo de brilhar. Em função do seu talento e potencial, ainda algo “selvagem”, trata-se de um jogador que precisa de ser moldado para que as suas capacidades sejam ainda mais exponenciadas. Com maturidade futebolística e psicológica, Bebé poderá ser uma peça importante em qualquer clube de nível europeu. Para isso, terá de juntar maior inteligência tática e pragmatismo ao seu futebol.

Seria muito interessante que, na próxima temporada, Bebé pudesse ingressar num dos grandes do futebol português. Era o passo seguinte ideal para o seu crescimento. E treinadores como Jorge Jesus, Leonardo Jardim ou Luís Castro, por exemplo, poderiam contribuir imenso para dar outra dimensão ao seu futebol e proporcionar a sua afirmação em definitivo.

Apar do bracarense Rafa, outro excelente talento em fase de afirmação, Bebé é um dos poucos jogadores da liga portuguesa, a jogar fora dos quadros de Benfica, FC Porto ou Sporting, com potencial para ser opção regular da Seleção Nacional a curto e médio prazo. Acredito que Paulo Bento tem estado atento ao seu processo evolutivo, na medida em que, tem precisado de novas opções para o ataque, extremos ou avançados, em função das lesões e baixos momentos de forma de algumas opções habituais.

Apelidado (e até gozado) de “flop” pela imprensa inglesa, Bebé tem a oportunidade de renascer e calar os críticos. Tem talento que sobra para o poder fazer e só depende de si, do que fizer dentro de campo e das decisões que tomar no futuro para a sua carreira, ser um grande jogador. Com cabeça e espírito de sacrifício, ainda está a tempo de voltar aos grandes relvados europeus.

O CRAQUE

Valor seguro

Jefferson pegou de estaca no onze do Sporting. O defesa-esquerdo tem sido um dos atletas mais utilizados por Leonardo Jardim, sendo protagonista desta boa época leonina. O brasileiro confirmou as indicações que tinha deixado ao serviço do Estoril, com boas exibições, dando profundidade ao lado esquerdo do ataque, onde tem uma presença constante, sem comprometer as tarefas defensivas. A sua renovação, a ser falada por estes dias, será um prémio merecido. Jefferson é uma peça chave para a próxima temporada num Sporting que está de regresso às competições europeias.

A JOGADA

Tudo em aberto

Muitos atreveram-se a dizer que o Benfica era favorito no jogo do Dragão para a Taça. Mesmo tendo um plantel com mais soluções do que os portistas, seria difícil acreditar nisso. Apesar de estar abaixo do nível que nos habituou, o FC Porto a jogar em casa é sempre muito forte, ainda mais quando tem pela frente o eterno rival. O resultado podia ter sido mais dilatado e foi lisonjeiro para o Benfica. As águias tiveram o mérito de sair vivos desta eliminatória, podendo recuperar a desvantagem em casa. O jogo da Luz vai ser interessante.

A DÚVIDA

A inércia da Liga de Clubes

Depois de uma semana com movimentos, comunicados, conferências de imprensa, ameaças de processos a árbitros e insultos públicos lamentáveis, que envolveram o antes e depois do Sporting-FC Porto num clima desnecessário e pouco aconselhável para o futebol, é estranho constatar que a Liga de Clubes, através da sua Comissão de Instrução e Inquéritos, tão célere noutras ocasiões, não tenha tentado intervir e colocar um travão a este extremar de posições, assistindo a tudo de forma impávida e serena. Será que a dita comissão só serve para processos relacionados com a Taça a Liga?

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